
Operação em Nova Maringá flagrou trabalhadores em barracos sem água potável, sob intimidação armada e sem equipamentos de proteção.
da Redação
No dia 15 de setembro, uma ação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF) resgatou 20 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão em uma propriedade rural de Nova Maringá, em Mato Grosso. Entre as vítimas, estava um adolescente de 17 anos.
A fazenda Eliane Raquel e Quinhão pertence à família Zimpel. A atual responsável pela empresa T.F. Zimpel, que recrutou os trabalhadores, é Taiany Franca Zimpel, empresária e modelo que foi eleita Miss Mato Grosso em 2016 e recebeu, em 2024, o título de Miss Mato Grosso Internacional. Em suas redes sociais, Taiany alterna postagens sobre concursos de beleza com anúncios de negócios ligados ao setor madeireiro, como a venda de lenha nativa e a busca por transporte de madeira.
De acordo com o MPT, as condições encontradas na propriedade eram precárias. Os trabalhadores, contratados para cortar e empilhar madeira, não tinham acesso a água potável nem a banheiros. Treze deles dividiam um barraco improvisado de lona e madeira, com colchões velhos sobre tábuas. Outros viviam em instalações semelhantes, dormindo em redes, em meio a tambores de óleo e combustíveis, sem ventilação adequada. Além da falta de equipamentos de proteção, houve relatos de intimidação por pessoas armadas e restrição de locomoção.
As investigações comprovaram a responsabilidade da empresa T.F. Zimpel, que manteve os trabalhadores nessas condições, bem como dos proprietários da fazenda, que se beneficiaram da exploração irregular. Como resultado, foi aplicada multa de R$ 1 milhão por dano moral coletivo, valor destinado ao Projeto Ação Integrada (PAI/MT), voltado ao combate ao trabalho escravo. Os responsáveis também assinaram Termo de Ajuste de Conduta (TAC), comprometendo-se a adotar medidas corretivas, sob pena de novas sanções. Além disso, terão de arcar com verbas salariais e rescisórias que somam R$ 418 mil.
Este não é o primeiro caso envolvendo a família. Em setembro de 2024, um trabalhador acionou a Justiça com uma reclamação trabalhista contra a T.F. Zimpel, então registrada em nome de Elton Renato Hollenbach Zimpel, pai de Taiany. O processo relatava acúmulo de função, atrasos salariais e alojamento precário, semelhante ao encontrado no último resgate.
Elton Zimpel também já havia sido autuado em 2004, quando fiscais do MTE libertaram 13 trabalhadores em condições degradantes em uma fazenda de soja em Nova Ubiratã. À época, foram pagas indenizações trabalhistas de R$ 25 mil. Documentos da Comissão Pastoral da Terra (CPT) registram ainda infrações ambientais atribuídas a ele, incluindo desmatamento ilegal e embargos do Ibama em áreas de preservação.
A reportagem entrou em contato com a família Zimpel e com o sócio da propriedade, Luciano Daroit, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.
com informações do Folha Max

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"







