
Documentos indicam que Bipar elaborou projeto da estrutura metálica de hospital de R$ 541 milhões em Mato Grosso
por Daniel Trindade
A participação da Bipar empresa ligada ao governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), e à primeira-dama Virgínia Mendes na construção do Hospital Central, em Cuiabá, coloca sob questionamento a transparência na execução de uma das maiores obras públicas da saúde no estado. Orçado em mais de R$ 541 milhões, o empreendimento é conduzido pelo Consórcio LC, formado pelas construtoras Lotufo e Concremax.
Documentos técnicos de engenharia apontam que a Bipar foi responsável pelo projeto da estrutura metálica utilizada na obra. Um dos registros, datado de março de 2021 e assinado pelo engenheiro Abner Martins, identifica a empresa como autora do projeto estrutural. A presença da marca da Bipar no material reforça o vínculo direto com a elaboração técnica de parte da construção.
Apesar disso, não há detalhamento oficial sobre os valores pagos à empresa. Informações extraoficiais indicam que a Bipar pode ter recebido mais de R$ 10 milhões pelos serviços prestados. Esses pagamentos não teriam ocorrido de forma direta pelo governo do Estado, mas sim por meio do Consórcio LC, responsável pela execução da obra — mecanismo que dificulta o acompanhamento público dos recursos.
A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) foi procurada para esclarecer os custos relacionados ao projeto, os critérios de contratação e os valores envolvidos, mas não apresentou respostas completas. A pasta afirmou apenas que não há registros de pagamentos diretos à Bipar, sem detalhar os repasses realizados ao consórcio nem as eventuais subcontratações.
Registros financeiros anexados ao processo de recuperação judicial do grupo Bipar confirmam ao menos parte da relação comercial entre a empresa e o consórcio. Um relatório de atividades financeiras aponta que, em maio de 2023, a Bipar recebeu R$ 6,9 mil do Consórcio LC, com a descrição de “estrutura metálica para construção civil”. O pagamento ocorreu cerca de dois anos após a elaboração do projeto estrutural do hospital.
A existência de pagamentos indiretos, somada à ausência de informações detalhadas, levou ao acionamento da Controladoria-Geral do Estado (CGE). Um pedido foi protocolado com base na Lei de Acesso à Informação solicitando dados completos sobre os valores pagos pela SES-MT ao Consórcio LC e possíveis repasses à Bipar. Até o momento, não houve resposta oficial do órgão.
A estrutura de contratação por consórcio é permitida em obras públicas de grande porte, mas a falta de transparência sobre subcontratações e repasses financeiros dificulta a fiscalização e o controle social dos gastos públicos, especialmente quando envolve empresas ligadas a agentes políticos.
O Hospital Central é considerado uma das principais obras da atual gestão estadual na área da saúde, com previsão de ampliar a oferta de atendimento de alta complexidade em Mato Grosso. No entanto, a ausência de detalhamento sobre contratos, pagamentos e participação de empresas privadas mantém incertezas sobre a execução financeira do projeto.
O caso foi revelado com exclusividade pelo jornalista Alexandre Aprá, do portal Isso É Notícia. Até o momento, não houve manifestação detalhada do governo estadual, do governador Mauro Mendes, da primeira-dama Virgínia Mendes, da Secretaria de Estado de Saúde ou das empresas que integram o Consórcio LC. O espaço segue aberto para posicionamentos.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"











