
Registros mostram que Jair Bolsonaro apoiou Selma em 2018 e Coronel Fernanda em 2020, não o senador do PSD por Mato Grosso
por Daniel Trindade
Em meio à circulação de postagens nas redes sociais e em grupos de mensagens que alegam que o ex-presidente Jair Bolsonaro teria apoiado oficialmente o senador e atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD-MT), nas eleições para o Senado em Mato Grosso, uma análise dos registros eleitorais, das declarações públicas da época e das campanhas indica que essa afirmação não corresponde aos fatos.
Nas eleições gerais de 2018, duas vagas estavam em disputa para representar o estado no Senado Federal. Entre os principais candidatos figuravam a então juíza Selma Arruda, que recebeu apoio público de Jair Bolsonaro e se tornou o principal nome ligado ao bolsonarismo naquele pleito, e o ex-governador Jayme Campos (DEM). Outro concorrente foi Carlos Fávaro, que à época exercia o cargo de vice-governador e renunciou para disputar a eleição. Ao fim da apuração, Selma Arruda e Jayme Campos foram eleitos, enquanto Fávaro terminou em terceiro lugar.
Posteriormente, Selma Arruda teve o mandato cassado pela Justiça Eleitoral, decisão que levou à convocação de uma eleição suplementar em 2020 para preencher a vaga aberta no Senado. Até a realização do novo pleito, Carlos Fávaro passou a ocupar a cadeira de senador de forma interina, período em que votou alinhado à base do governo federal no Congresso e articulou politicamente a possibilidade de receber apoio do Palácio do Planalto.
A eleição suplementar ocorreu em 15 de novembro de 2020 e reuniu vários candidatos, entre eles Fávaro, a então deputada federal Coronel Fernanda (Patriota), além de outros nomes. Durante a campanha, Jair Bolsonaro declarou apoio público à candidatura de Coronel Fernanda, participando de atos políticos e manifestações ao lado dela endosso que não foi estendido formalmente a Fávaro. Ao término da votação, o senador do PSD venceu a disputa e garantiu a permanência no cargo até o fim do mandato previsto para 2027.
Apesar desse histórico documentado, versões difundidas por alguns apoiadores sustentam que Bolsonaro teria apoiado Carlos Fávaro ou que o parlamentar teria usado o nome do então presidente para se eleger, além de acusá-lo de “trair o agro”. A checagem dos fatos indica que essas afirmações não encontram respaldo nos registros oficiais e se enquadram como desinformação utilizada com finalidade política.
A legislação brasileira prevê punições para a divulgação deliberada de informações falsas no contexto eleitoral. O Código Penal trata de crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria, enquanto a Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997) estabelece sanções para conteúdos capazes de influenciar irregularmente o eleitorado. Em determinadas situações, a propagação organizada de desinformação também pode gerar responsabilização civil e eleitoral.
Diante desse cenário, a recomendação é que os eleitores consultem sempre fontes jornalísticas confiáveis, dados oficiais da Justiça Eleitoral e registros públicos antes de compartilhar conteúdos políticos. A verificação das informações é considerada essencial para preservar a qualidade do debate democrático e evitar que boatos ou versões distorcidas influenciem decisões nas urnas.
Segundo os fatos disponíveis, Jair Bolsonaro apoiou Selma Arruda em 2018 e Coronel Fernanda em 2020, e não declarou apoio oficial a Carlos Fávaro em nenhuma dessas disputas ao Senado por Mato Grosso. O esclarecimento desse histórico é apontado como fundamental para que a discussão política no estado permaneça baseada em dados verificáveis e não em narrativas sem comprovação.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"








