
Com mais de R$ 186 mil gastos apenas com combustíveis nos primeiros seis meses de 2025, deputados federais de Mato Grosso chamam atenção pelo uso da cota parlamentar; Rodrigo da Zaeli lidera a lista com mais de R$ 52 mil em despesas.
por Daniel Trindade
Os deputados federais de Mato Grosso utilizaram, entre janeiro e junho de 2025, mais de R$ 186 mil em despesas com combustíveis, conforme apontam os dados da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), disponíveis no Portal da Transparência da Câmara dos Deputados. O valor se refere exclusivamente à verba destinada ao abastecimento de veículos no desempenho das atividades parlamentares.
O deputado que lidera o ranking de gastos com combustíveis é Rodrigo da Zaeli (PL), que assumiu o mandato no início do ano após a renúncia de Abilio Brunini (PL), eleito prefeito de Cuiabá. Em apenas seis meses de atuação na Câmara, Rodrigo já consumiu R$ 52.874,38, o que equivale a uma média mensal de aproximadamente R$ 8.812. Esse montante representa mais de 28% de todo o valor gasto pelos parlamentares mato-grossenses com combustíveis no período.

Em segundo lugar aparece Emanuelzinho (MDB), com um total de R$ 30.541,52, o que dá uma média mensal de R$ 5.090. O terceiro maior gasto foi de Nelson Barbudo (PL), que já destinou R$ 28.267,85 à compra de combustíveis cerca de R$ 4.711 por mês.
O deputado coronel Assis (União Brasil) também figura entre os que mais utilizaram a verba para abastecimento, com R$ 27.206,47 até junho, representando uma média de R$ 4.534 mensais. Juarez Costa (MDB) gastou R$ 17.787,54, com média de R$ 2.964 por mês, seguido de José Medeiros (PL), que utilizou R$ 15.678,60, o que dá R$ 2.613 por mês.
A deputada Gisela Simona (União Brasil) registrou um total de R$ 12.003,10 até junho, com gasto médio de R$ 2 mil mensais, enquanto coronel Fernanda (PL) aparece com o menor valor investido em combustíveis: R$ 1.636,66, sendo que os registros foram feitos apenas no mês de janeiro.
Apesar de não ter registrado novos gastos com combustíveis após janeiro, coronel Fernanda manteve despesas com locação de veículos. Em fevereiro, a parlamentar desembolsou R$ 2.600 com aluguel. No mês seguinte, os custos subiram para R$ 6.700, relativos à locação de dois veículos. Já em abril e maio, os valores pagos foram de R$ 4 mil em cada mês, enquanto em junho, os gastos com aluguel de automóveis chegaram a R$ 5 mil.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do litro da gasolina comum em Mato Grosso, na última semana de junho, era de R$ 5,90. Considerando o consumo médio de um veículo bastante utilizado por gabinetes parlamentares, como o Volkswagen T-Cross, que roda cerca de 12 km por litro, é possível estimar o potencial de deslocamento que esses valores representam.

Apenas com o valor gasto por Rodrigo da Zaeli nos seis primeiros meses do ano, seria possível abastecer um carro o suficiente para fazer cerca de 18 viagens de ida e volta até Buenos Aires, na Argentina, ou 15 viagens completas até Natal (RN), considerando deslocamentos por rodovias. Já os valores utilizados por Emanuelzinho permitiriam aproximadamente seis viagens de ida e volta até Caracas, na Venezuela, também por via terrestre.
Esses números reacendem o debate sobre os limites da cota parlamentar e a forma como os recursos públicos são utilizados no exercício do mandato. Embora a cota exista justamente para custear as atividades relacionadas ao mandato como deslocamentos para reuniões, visitas a municípios e agendas oficiais os gastos elevados, especialmente com combustíveis e locações, reforçam a necessidade de transparência e critérios mais rigorosos na fiscalização dessas despesas.
A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar é regulamentada por ato da Mesa Diretora da Câmara e tem valores variáveis conforme o estado de origem do deputado, levando em consideração distâncias, logística e abrangência da atuação. Em Mato Grosso, onde muitos municípios estão distantes da capital e o deslocamento terrestre é frequente, o valor da cota mensal por deputado ultrapassa R$ 45 mil, podendo ser usado para diferentes finalidades, incluindo combustíveis, passagens aéreas, hospedagens, alimentação, serviços gráficos e consultorias técnicas.
Mesmo dentro da legalidade, os números evidenciam a importância de acompanhamento constante por parte da sociedade, órgãos de controle e imprensa sobre os gastos parlamentares.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"







