Foto: Reprodução
Setor reage com apreensão à medida do governo norte-americano que prevê taxação de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto
Por Redação
A sinalização de um tarifaço de 50% sobre importações brasileiras, feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocou reação imediata em Mato Grosso. O impacto já chegou ao setor agropecuário: frigoríficos suspenderam a compra de gado, segundo informou a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), que classifica o cenário como de forte instabilidade e alerta para os efeitos econômicos em cadeia.
De acordo com o presidente da entidade, Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior, os compradores estão aguardando a consolidação da medida para redefinir estratégias comerciais. A decisão dos frigoríficos ocorre antes mesmo da entrada em vigor da tarifa, prevista para 1º de agosto.
O anúncio feito por Trump ocorreu na última quarta-feira (9), por meio de uma carta pública endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No documento, o líder norte-americano justifica a criação da nova tarifa como resposta à forma como o governo brasileiro tratou o ex-presidente Jair Bolsonaro e à alegada violação de princípios como a liberdade de expressão.
O comunicado também critica o modelo de relações comerciais atuais entre os dois países, que, segundo Trump, seriam desequilibradas em prejuízo dos Estados Unidos.
A Acrimat alerta que a simples perspectiva de taxação já altera o comportamento de mercado. O receio generalizado é de que a medida desorganize toda a cadeia produtiva, afetando o planejamento de abates, a oferta de empregos no campo e o fluxo financeiro das propriedades rurais.
A situação se agrava pelo contexto climático. Mato Grosso entra agora no período de estiagem, quando o gado tende a perder peso e os criadores aceleram o processo de venda para evitar perdas. Com a suspensão das compras, há risco de congestionamento nos estoques e redução dos preços pagos aos produtores.
Segundo Oswaldo Pereira, o cenário é semelhante a crises sanitárias, pois exige respostas rápidas e prudência nas decisões. Ele explica que a suspensão das compras já provocou o aumento das escalas de abate, que saltaram de uma semana para até 30 dias em algumas unidades, comprometendo o fluxo de caixa nas propriedades e nas indústrias.
Em nota oficial, a Acrimat manifestou preocupação com o risco de o produto mato-grossense perder competitividade no mercado norte-americano. A entidade calcula que, com o novo imposto, o valor da tonelada da carne bovina brasileira poderia alcançar US$ 8.600, tornando inviável sua comercialização nos Estados Unidos.
A entidade também solicita ao Governo Federal que adote medidas diplomáticas e técnicas para evitar a consolidação do tarifaço. A expectativa é de que as negociações avancem no campo institucional, evitando prejuízos maiores ao setor agropecuário, responsável por parcela significativa do PIB do estado e pela geração de empregos diretos e indiretos em todo o país.
“Acreditamos na soberania nacional, mas confiamos principalmente no diálogo e no bom senso. A política deve servir para construir soluções, não para aprofundar crises comerciais”, destacou a entidade no comunicado.
O governo federal ainda não divulgou resposta formal à carta norte-americana, mas interlocutores da área econômica já discutem alternativas para mitigar os efeitos da medida. Representantes do Itamaraty, do Ministério da Agricultura e do setor privado devem intensificar tratativas nas próximas semanas com o objetivo de evitar prejuízos ao comércio exterior brasileiro.

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