Bolsonaro confirma Wellington Fagundes pré-candidato ao governo de MT

Senador do PL relata conversa de duas horas com o ex-presidente, comenta cenário político e defende candidatura de Flávio Bolsonaro.
por Daniel Trindade
O senador Wellington Fagundes (PL-MT) afirmou neste sábado que o ex-presidente Jair Bolsonaro confirmou seu nome como pré-candidato ao governo de Mato Grosso nas próximas eleições. Segundo o parlamentar, Bolsonaro também endossou o deputado federal José Medeiros (PL-MT) como pré-candidato ao Senado pelo estado.
De acordo com o senador, a confirmação ocorreu durante uma visita de cerca de duas horas ao ex-presidente. O encontro contou também com a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e teve como foco discussões sobre o cenário político nacional, articulações eleitorais do Partido Liberal (PL) e estratégias da direita para as próximas eleições.
Segundo Wellington Fagundes, a reunião começou como um gesto de solidariedade pessoal ao ex-presidente, mas acabou se transformando em uma longa conversa sobre política, eleições e o cenário institucional do país. O parlamentar disse que Bolsonaro pediu que lideranças da direita mantenham união em torno de um projeto político comum e evitem divisões internas.
Durante a conversa, também foi discutida a construção de uma candidatura presidencial liderada por Flávio Bolsonaro. De acordo com Fagundes, o ex-presidente demonstrou confiança na estratégia política que vem sendo articulada pelo filho e defendeu que a direita se organize em torno desse projeto nacional.
O senador afirmou que pesquisas citadas durante a reunião indicariam crescimento do nome de Flávio Bolsonaro entre eleitores associados ao ex-presidente. Segundo ele, na avaliação do grupo político, o senador teria absorvido boa parte desse eleitorado e apresenta índices de rejeição menores dentro do campo político ligado ao bolsonarismo.
Para Wellington Fagundes, a candidatura de Flávio Bolsonaro seria apresentada como uma alternativa capaz de “pacificar o país” e construir um projeto de desenvolvimento econômico e geração de oportunidades.
Além da estratégia nacional, a reunião tratou das definições eleitorais do PL em Mato Grosso. Fagundes afirmou que Bolsonaro endossou a decisão partidária que estabelece seu nome como pré-candidato ao governo estadual e José Medeiros como pré-candidato ao Senado.
Segundo o senador, essa definição foi construída internamente no partido em reunião com parlamentares da legenda e com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. De acordo com ele, a direção nacional coordena as estratégias para governos estaduais e assembleias legislativas, enquanto Bolsonaro atua na articulação das candidaturas ao Senado.
Fagundes afirmou ainda que a orientação política discutida no encontro é evitar disputas internas que possam dividir o eleitorado de direita. Segundo ele, Bolsonaro reforçou que o PL deve trabalhar com candidatura única ao Senado em Mato Grosso para evitar fragmentação de votos.
O senador também informou que Flávio Bolsonaro deverá visitar Mato Grosso nos próximos meses para reforçar o apoio às candidaturas locais e participar de agendas políticas. A data da viagem ainda não foi definida, mas, segundo Fagundes, o estado tem relevância estratégica para o partido por causa do peso do agronegócio na economia nacional.
Durante a entrevista, o parlamentar destacou o papel de Mato Grosso na produção agropecuária e na balança comercial brasileira. Ele afirmou que o estado reúne três biomas — Cerrado, Pantanal e Amazônia — e que mais de 60% do território estadual permanece preservado.
Fagundes também citou projetos de infraestrutura considerados estratégicos para a região Centro-Oeste, como a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) e a Ferrogrão. Segundo ele, essas iniciativas são fundamentais para ampliar a capacidade logística de escoamento da produção agrícola.
O senador lembrou ainda o chamado “investimento cruzado” realizado durante o governo Bolsonaro, quando recursos da renovação da concessão da Estrada de Ferro Carajás foram destinados à construção de trechos ferroviários no Centro-Oeste, ligando Goiás a Mato Grosso.
Outro tema abordado durante a entrevista foi o estado de saúde de Bolsonaro. Segundo Wellington Fagundes, o ex-presidente estava animado e otimista durante o encontro e não apresentou crises relacionadas às complicações decorrentes da facada sofrida na campanha eleitoral de 2018.
De acordo com o senador, Bolsonaro relatou que episódios recorrentes de soluços são consequência das aderências internas provocadas pelas cirurgias realizadas após o atentado. Durante a visita, no entanto, ele não apresentou sintomas e aparentava estabilidade.
Apesar do encontro ocorrer em meio a discussões políticas nacionais, o senador afirmou que temas como o caso do Banco Master ou investigações envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal não foram tratados diretamente na conversa com o ex-presidente.
Mesmo assim, ao comentar o cenário político no Congresso, Fagundes classificou o momento atual como uma das maiores crises institucionais já enfrentadas pelo país.
O parlamentar afirmou que investigações conduzidas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelaram um volume elevado de documentos e mensagens, cujo conteúdo ele descreveu como “estarrecedor”.
Segundo ele, o material reunido pela Polícia Federal envolve trocas de mensagens entre diferentes agentes públicos e privados, indicando possíveis conexões entre fraudes em empréstimos consignados, irregularidades previdenciárias e movimentações financeiras investigadas.
Na avaliação do senador, os casos investigados podem apontar para uma estrutura mais ampla envolvendo crime organizado e irregularidades no sistema financeiro nacional.
Fagundes defendeu a prorrogação da CPMI do INSS para permitir análise detalhada do material já coletado e também a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito voltada especificamente para investigar o caso do Banco Master.
O senador afirmou que teve acesso a parte dos documentos compartilhados com parlamentares e disse que o volume de informações exigirá muitos dias de análise por parte da comissão.
Ele também elogiou o trabalho da Polícia Federal nas investigações e afirmou que a instituição deve atuar como “polícia de Estado”, mantendo independência em relação a governos.
Fagundes comentou ainda a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça de compartilhar documentos com a CPMI do INSS e defender a apuração de eventuais vazamentos de informações.
Segundo ele, parlamentares pediram transparência na divulgação dos dados que não envolvam informações pessoais, argumentando que a sociedade brasileira exige esclarecimentos sobre os fatos investigados.
Para o senador, as investigações devem alcançar qualquer pessoa citada nos documentos, independentemente do cargo ocupado, inclusive parlamentares.
Fagundes também afirmou que o Congresso discute ampliar investigações relacionadas ao sistema financeiro e ao crime organizado, considerando que parte dos esquemas investigados estaria interligada.
Na avaliação do senador, o Brasil enfrenta uma crise institucional profunda e as investigações conduzidas pelo Legislativo serão fundamentais para restabelecer confiança nas instituições e no sistema financeiro.
Ele acrescentou que o país precisa manter estabilidade política para garantir investimentos em infraestrutura e crescimento econômico, especialmente em áreas como logística e agronegócio.
Ao final da entrevista, Wellington Fagundes reiterou que a prioridade do grupo político ligado a Bolsonaro é consolidar uma frente unificada da direita para as próximas eleições e fortalecer projetos de desenvolvimento econômico no país.
*videos cedidos pela assessoria
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