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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precisou cancelar compromissos que tinha marcados para esta sexta-feira (20) em Goiás e retornou para Brasília após sentir um mal-estar. O médico que o operou há dois meses, o cirurgião Claudio Birolini, vai até a capital federal neste sábado (21) para reavaliar o quadro de saúde do ex-presidente e realizar novos exames.
O prefeito de Anápolis (GO), Márcio Corrêa (PL), anunciou o cancelamento das agendas nas redes sociais. Segundo informações apuradas, Bolsonaro estava em Goiânia e não chegou a seguir viagem para Anápolis devido ao desconforto. Pela manhã, ele chegou a participar de um evento, mas visivelmente indisposto preferiu não discursar, permaneceu no local por apenas 20 minutos e, em seguida, se recolheu em uma sala para repousar. Pouco depois, decidiu antecipar o retorno a Brasília.

Mesmo debilitado, Bolsonaro fez questão de marcar presença em um churrasco promovido por apoiadores em um frigorífico da capital goiana. O encontro, que tinha tom eleitoral, reuniu simpatizantes que chegaram cedo para ver o ex-presidente. Imagens compartilhadas nas redes mostraram Bolsonaro vestido de verde e amarelo, em clima descontraído, mesmo com sinais de fraqueza. Até os pratos usados para servir a picanha traziam sua foto e a bandeira do Brasil impressa.
Fontes próximas relataram que ele se recuperou parcialmente do mal-estar após tomar medicamentos, mas permaneceu sonolento e em repouso na residência oficial. Aliados tentaram tranquilizar apoiadores afirmando que o quadro não é grave.
Na noite de quinta-feira (19), Bolsonaro já dava sinais de que não estava bem. Durante um discurso em solenidade na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia, ele interrompeu a fala com um soluço forte e revelou ao público que estava muito debilitado, dizendo que “vomitava dez vezes por dia”.
Esta é a segunda vez, só neste ano, que o ex-presidente interrompe compromissos devido a complicações de saúde relacionadas ao ferimento sofrido na facada de 2018. Em abril, ele passou mal em Santa Cruz (RN) durante uma agenda no Nordeste, precisou ser transferido de helicóptero para Natal e depois removido de UTI aérea para Brasília, onde foi internado. Na ocasião, exames detectaram novos problemas intestinais, levando a uma cirurgia que durou 12 horas, descrita como extremamente complexa pelo próprio cirurgião, Claudio Birolini. A intervenção resultou na perda de mais de 20 quilos e exigiu três semanas de internação, além de uma recomendação médica para evitar esforços por pelo menos dois meses orientação que Bolsonaro ignorou logo depois ao subir em carro de som durante manifestação em Brasília pedindo anistia para presos do 8 de Janeiro.

Ao longo dos últimos anos, o ex-presidente já passou por sete procedimentos cirúrgicos em consequência do ataque de 2018. A mais recente operação chegou a ser explorada politicamente pela família Bolsonaro: o vereador Carlos Bolsonaro, responsável pela estratégia digital do pai, divulgou vídeos de momentos de fisioterapia, falas públicas e até imagens do abdômen aberto com as vísceras expostas, numa tentativa de reforçar a imagem de um líder forte e resistente.
Agora, Bolsonaro aguarda nova avaliação de seu médico de confiança em Brasília, enquanto se recupera em casa, cercado por aliados que tentam conter preocupações entre apoiadores e a base política.

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