Marlene Engelhorn escolheu 50 moradores da Áustria para decidirem como redistribuir seu dinheiro; prazo para a decisão acaba esta semana
O prazo do conselho de completos desconhecidos criado por Marlene Engelhorn, 31, para definir o destino de € 25 milhões (cerca de R$ 142,7 milhões) que recebeu de herança acaba neste fim de semana, segundo o próprio conselho divulgou em suas redes sociais. A herdeira da Basf – uma das maiores empresas químicas do mundo – escolheu 50 austríacos para desenvolverem propostas de redistribuição da sua fortuna.
Em janeiro, o Guter Rat für Rückverteilung, ou bom conselho para redistribuição – organização independente fundada e financiada por Marlene Engelhorn – enviou 10.000 convites pelos correio para moradores da Áustria, com idade mínima de 16 anos, escolhidos aleatoriamente em um banco de dados nacional. Do total, 50 pessoas foram selecionadas.
A partir da participação no Guter Rat, os selecionados reuniram-se, durante seis fins de semana, em Salzburgo, com um grupo de especialistas de diversas áreas de atuação para debater sobre a distribuição de riqueza e os seus efeitos na política e na sociedade na Áustria. Todos os participantes contaram com uma assistência de € 1,2 mil por fim de semana, além de custos com hotéis, refeições e viagens cobertos.
A decisão da herdeira foi tomada após o falecimento de sua avó, Traudl Engelhorn, que aparece junto com a família em 687º na lista da Forbes com um patrimônio de US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,8 bilhões).
“Eu não trabalhei um dia sequer pela minha herança e não estou pagando um centavo por ela”, disse Marlene Engelhorn em entrevista à “Forbes” austríaca publicada no início do ano.
Desfecho final dos € 25 milhões
Ao fim desta semana, em seu 6º encontro, os membros do conselho devem chegar a um acordo sobre a redistribuição da herança de Marlene. Engelhorn renunciou a toda autoridade de tomada de decisão, de acordo com o site do projeto. Caso o grupo não consiga encontrar uma maneira amplamente apoiada de distribuição, todo o dinheiro será devolvido à herdeira.
O dinheiro não pode ser destinado para organizações que operam com fins lucrativos. Teoricamente, todo o dinheiro pode ir para uma única organização. Ou pode ser criada uma estrutura temporária, como uma ONG, para redistribuir o dinheiro – desde que a ideia e o propósito do Guter Rat (Bom Conselho) sejam respeitados.
“Reconhecer que a riqueza surge sempre da sociedade – nunca dela mesma. É por isso que parte dela deve ser distribuída de volta à sociedade, a fim de melhorar a vida de todos. Não apenas para aliviar os sintomas, mas para tratar as causas. Assim também apoiando os grupos e movimentos que lutam contra as causas da desigualdade social”, diz mensagem sobre redistribuição no site do Guter Rat.
Movimento pela taxação de fortuna
A Áustria é um dos poucos países desenvolvidos que não taxam herança, desde 2008. Marlene Engelhorn, ao saber da herança deixada pela avó, enviou uma carta aberta junto com outros ativistas, em países de língua alemã, que defendem a taxação de grandes fortunas. Juntos, fundaram, em fevereiro de 2021, a iniciativa Taxmenow, em busca de justiça fiscal para que ricos paguem impostos mais altos.
“Queremos uma sociedade em que o acesso ao público e aos meios de comunicação social não dependa da riqueza ou da classe. No entanto, temos consciência de que recebemos atenção redobrada apenas por esse motivo. Nesta área de tensão, queremos usar a nossa posição para criticar o poder. Achamos que é importante que as pessoas ricas não permaneçam caladas sobre as injustiças de que beneficiam e, em vez disso, participem na discussão pública em solidariedade”, diz o site da Taxmenow.
Fonte ? Estadão
Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






