
Deputado do Republicanos foi alvo da Operação Trapaça, tem empresas citadas em decisões judiciais por fraudes em licitações e aparece em vídeo sobre obras públicas
por Daniel Trindade
O deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos), aliado do governador Mauro Mendes e do vice-governador Otaviano Pivetta, reúne ao longo de sua trajetória política um conjunto de episódios que envolvem investigações por fraudes em licitações, decisões judiciais, movimentações financeiras e contratos públicos milionários no Estado de Mato Grosso. Integrante da base governista, Moretto participa com frequência de agendas oficiais de obras e investimentos ao lado do governo estadual, em eventos considerados estratégicos para a execução de infraestrutura e articulação política.
O histórico remonta ao período em que foi prefeito de Nova Lacerda, quando passou a ser investigado no âmbito da Operação Trapaça, conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF). Segundo a ação, o esquema envolveria direcionamento de licitações para empresas ligadas a gestores públicos, em um modelo descrito como “licitações cruzadas”, no qual empresas vinculadas a um grupo político venciam contratos em municípios vizinhos enquanto deixavam de concorrer nos próprios municípios, criando aparência de concorrência em processos cujo resultado já estaria previamente definido. O caso aponta prejuízo estimado em R$ 34,5 milhões aos cofres públicos e levou ao bloqueio de bens, inicialmente em R$ 1,5 milhão, posteriormente limitado a cerca de R$ 793 mil por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O parlamentar nega irregularidades.
As investigações alcançam empresas do setor de construção civil ligadas ao grupo, entre elas a Oeste Construtora, anteriormente registrada como V.L. Moretto & Cia Ltda. De acordo com o MPF, o deputado teria se retirado formalmente do quadro societário, mas mantido vínculo indireto com a empresa por meio de seu irmão, Glenio Moretto, atual sócio-administrador. A acusação menciona movimentações financeiras entre familiares, incluindo transferências superiores a R$ 1 milhão após a saída formal, o que, segundo o órgão, indicaria permanência como beneficiário indireto.
Em outro desdobramento, decisão judicial apontou a participação de empresas do grupo em esquema de fraude e triangulação em contratos públicos, com valores superiores a R$ 12 milhões. A sentença descreve mecanismos para direcionar recursos, simular concorrência e ocultar a execução real dos contratos.
Em fevereiro de 2026, a Justiça Federal, em decisão assinada pela juíza Fernanda Gataz Oliveira Fidelis, apontou a existência de uma rede articulada entre empresários, gestores públicos e operadores financeiros para simular concorrência em licitações e desviar recursos públicos em municípios do interior de Mato Grosso. A decisão mencionou que empresas ligadas ao grupo incluindo a V.L. Moretto & Cia Ltda. (posteriormente Oeste Construtora) integrariam um esquema revelado pela Operação Trapaça, com combinação prévia de vencedores e encenação de disputas para cumprir exigências legais.
Segundo a decisão, investigações identificaram repasses financeiros suspeitos, depósitos vinculados a contratos superfaturados e pagamentos realizados após liberações de recursos por prefeituras. Também foi citado o uso de empresas interpostas, incluindo construtoras registradas em nome de terceiros sem capacidade operacional, para dar aparência de legalidade aos processos. O esquema teria operado por anos em municípios como Nova Lacerda, Salto do Céu, Cáceres e Mirassol do Oeste, somando mais de R$ 12 milhões em contratos apontados como irregulares. A decisão determinou medidas como a dissolução de empresas envolvidas e a apuração de ressarcimento ao erário pelos responsáveis.
O tema voltou ao centro do debate após a divulgação de um vídeo em que Moretto menciona a divisão de mais de R$ 200 milhões em obras públicas durante um evento oficial com presença do governo estadual. Na gravação, o deputado afirma que os valores teriam sido distribuídos em três lotes, sendo dois destinados à empresa Agrimat e um a uma empresa ligada a ele. Após a repercussão, afirmou que a fala foi um “vício de linguagem” e negou manter vínculo com empresas que prestam serviços ao poder público.
Dados do FIPLAN Mato Grosso mostram que uma empresa associada à família do deputado acumulou mais de R$ 301 milhões em empenhos do Governo de Mato Grosso entre 2020 e 2026. Os valores apresentam crescimento expressivo a partir de 2024, com concentração de mais de 70% dos recursos nos dois anos mais recentes do período analisado. Os contratos estão classificados na área de “obras e serviços de engenharia”, incluindo pavimentação e infraestrutura viária.
A atuação de Moretto ocorre dentro da base de apoio do governo Mauro Mendes, com presença frequente em agendas institucionais ao lado do governador e do vice-governador Otaviano Pivetta, apontado como pré-candidato ao Executivo estadual. A sequência de fatos — investigações, decisões judiciais, movimentações financeiras, declarações públicas e volume elevado de contratos ligados à família — indica que o episódio do vídeo não ocorre de forma isolada, mas se insere em um contexto mais amplo que envolve recursos públicos, contratos de infraestrutura e articulação política em Mato Grosso.
As informações foram levantadas a partir de dados públicos disponíveis no Portal FIPLAN do Governo de Mato Grosso, sistema de acesso aberto que pode ser consultado por qualquer cidadão por meio do endereço eletrônico: https://consultas.transparencia.mt.gov.br/webfiplan/fiplan/despesa_por_credor/
O espaço segue aberto para manifestações.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"









