
Foto :SES/MT

por Daniel Trindade
O Hospital Regional de Sinop realizou uma cirurgia inédita no SUS de Mato Grosso que devolveu autonomia a uma paciente de 58 anos que já não conseguia se alimentar sozinha por causa de tremores intensos. O procedimento, considerado de alta complexidade, marca um avanço na oferta de neurocirurgia funcional na rede pública do estado.
A intervenção foi realizada no dia 17 de março e utilizou a técnica de talamotomia estereotáxica, um método que atua diretamente em regiões profundas do cérebro para controlar distúrbios neurológicos. A paciente convivia há mais de duas décadas com tremor essencial grave, condição que havia evoluído nos últimos anos e comprometido tarefas simples do cotidiano, como segurar talheres.
Um dos pontos mais impressionantes da cirurgia foi o fato de ter sido realizada com a paciente acordada. Durante o procedimento, a equipe médica conseguiu avaliar em tempo real os efeitos da intervenção. Em um dos momentos registrados, ainda na mesa cirúrgica, a paciente conseguiu levar um garfo à boca sem apresentar os tremores que antes a limitavam.
O diretor do hospital, Jean Carlos Alencar, destacou a relevância do resultado observado ainda durante a cirurgia.
“Em um dos momentos registrados em vídeo, ainda sendo operada, ela consegue pela primeira vez em anos levar um garfo à boca com precisão, sem o tremor que antes a limitava”, afirmou.
De acordo com o neurocirurgião funcional Pablo Fruett, responsável pelo procedimento, esse tipo de cirurgia é altamente especializado e está disponível em poucos centros públicos do país. A estimativa é de que menos de cinco serviços do SUS realizem a técnica de forma regular.
“O resultado pode ser observado imediatamente. Durante a cirurgia, a paciente realizou desenhos que mostram a diferença. Antes, os traços eram irregulares, com tremor intenso. Após a intervenção, as linhas ficaram muito mais firmes e controladas”, explicou o médico.
A cirurgia durou cerca de uma hora e contou com uma equipe multiprofissional composta por dois cirurgiões, biomédico especializado em planejamento estereotáxico, instrumentadores, equipe de enfermagem e profissionais de anestesia.
Para o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo, o procedimento representa um avanço importante para a saúde pública estadual.
“Voltar a se alimentar sozinha pode parecer simples, mas representa a recuperação da independência e da dignidade após muito tempo de limitação”, disse.
Além do marco na área de alta complexidade, o hospital também ampliou significativamente o número de cirurgias realizadas nos últimos anos. Em 2019, a unidade registrava entre 70 e 90 procedimentos mensais. Atualmente, esse número ultrapassa 350 cirurgias por mês, incluindo intervenções mais complexas.
O caso evidencia a ampliação da capacidade do SUS em Mato Grosso na realização de procedimentos de alta complexidade, enquanto a unidade segue atendendo pacientes e não informou a previsão de novas cirurgias semelhantes.
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