Jéssica Santiago, de 33 anos, morreu durante lipoescultura e cruroplastia em Tangará da Serra; laudo aponta perfuração nos pulmões causada por instrumento cirúrgico.
por Daniel Trindade
A Polícia Civil de Mato Grosso indiciou dois médicos por homicídio culposo quando não há intenção de matar após a morte da empresária Jéssica Santiago Souza, de 33 anos, durante uma cirurgia estética realizada em Tangará da Serra, município localizado a cerca de 240 quilômetros de Cuiabá. O caso ocorreu em 17 de fevereiro de 2026, durante procedimentos de cruroplastia e lipoescultura, e passou a ser investigado após a morte da paciente no centro cirúrgico.
De acordo com informações da investigação, Jéssica apresentou complicações graves enquanto passava pelos procedimentos estéticos. A equipe médica iniciou manobras de reanimação após a paciente sofrer uma parada cardiorrespiratória, mas ela não resistiu. A morte gerou grande repercussão na região e levou familiares a cobrarem esclarecimentos sobre as circunstâncias da cirurgia.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso e solicitou exames periciais para determinar a causa da morte. O laudo necroscópico elaborado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que a empresária morreu em decorrência de pneumotórax bilateral, provocado por perfuração da parede torácica posterior. Segundo a análise técnica, a lesão é compatível com o uso de instrumento cirúrgico utilizado em procedimentos de lipoaspiração, como a cânula empregada para retirada de gordura.
Ainda conforme a perícia, foram identificadas perfurações nos pulmões, o que comprometeu gravemente a função respiratória da paciente. Os peritos concluíram que há relação entre as lesões e o procedimento cirúrgico realizado no momento da morte. Com base nos laudos técnicos, depoimentos e demais elementos coletados durante a investigação, a Polícia Civil entendeu haver indícios de imperícia na condução da cirurgia, o que levou ao indiciamento dos dois médicos responsáveis pelo procedimento.
Durante depoimento prestado no inquérito, os profissionais investigados negaram ter cometido erro médico. Eles afirmaram que a perfuração identificada nos pulmões poderia ter ocorrido durante as manobras de reanimação realizadas após a parada cardiorrespiratória da paciente, versão que foi analisada ao longo da investigação. Apesar da alegação apresentada pela defesa, a conclusão da perícia indicou que as lesões são compatíveis com instrumento utilizado durante a cirurgia estética.
Com a finalização do inquérito policial, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso, que irá analisar o material reunido pela polícia para decidir se apresenta denúncia criminal à Justiça contra os médicos investigados. Caso a denúncia seja oferecida e aceita pela Justiça, os profissionais poderão responder a processo por homicídio culposo.
Até o momento, as identidades dos médicos indiciados não foram divulgadas oficialmente pelas autoridades. A Polícia Civil informou apenas que ambos participaram diretamente do procedimento cirúrgico realizado na paciente.
Jéssica Santiago Souza morava em Pontes e Lacerda, cidade localizada no oeste de Mato Grosso. Ela era conhecida na região por atuar como empresária no ramo de vestuário, sendo proprietária de uma loja de roupas no município. Além da atividade empresarial, também trabalhava como professora de educação infantil.
A morte da empresária provocou forte comoção entre familiares, amigos e moradores da cidade. Nas redes sociais, diversas manifestações pediram justiça e maior esclarecimento sobre as circunstâncias da cirurgia estética que terminou de forma trágica.
Além da investigação criminal conduzida pela Polícia Civil, o caso também poderá ser analisado pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), que pode instaurar procedimento administrativo para avaliar eventual responsabilidade ética ou profissional dos médicos envolvidos.
Procedimentos como lipoescultura e cruroplastia são cirurgias estéticas realizadas para remodelação corporal. A lipoescultura consiste na retirada de gordura de determinadas áreas do corpo para redistribuição em outras regiões, enquanto a cruroplastia é um procedimento voltado para correção de flacidez ou excesso de pele nas coxas. Apesar de comuns na cirurgia plástica, especialistas ressaltam que essas intervenções exigem estrutura hospitalar adequada e equipe especializada, devido aos riscos cirúrgicos envolvidos.
O caso segue agora sob análise do Ministério Público, que deverá decidir os próximos passos do processo. A eventual denúncia poderá dar início a uma ação penal na Justiça, onde serão avaliadas as responsabilidades pela morte da empresária durante a cirurgia estética em Tangará da Serra.
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