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Documento de especialistas particulares aponta que acusada sofria de delírios místicos e alucinações no momento do crime
A defesa de Nataly Helen Martins Pereira afirmou que ela estava em surto psicótico e sem consciência da realidade ao causar a morte da adolescente Emelly Beatriz Azevedo, em março de 2025. A alegação consta em um novo parecer psiquiátrico forense apresentado junto às contrarrazões ao Recurso Especial do Ministério Público de Mato Grosso, protocoladas nessa terça-feira (20) no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O parecer técnico, que possui mais de 50 páginas, foi elaborado pelo psiquiatra forense Dr. Hewdy Lobo Ribeiro e pela psicóloga jurídica Dra. Elise Karam Trindade, com autorização do Poder Judiciário.
Segundo o documento, Nataly estava acometida por “adoecimentos mentais graves com características psicóticas” na data dos fatos. O laudo detalha a presença de sintomas ativos como delírios de natureza mística, alucinações auditivas e uma “profunda ruptura com a realidade”.
Com base nessas evidências, os advogados André Luís Melo Fort e Ícaro Vione de Paulo argumentam que o Incidente de Insanidade Mental é indispensável para elucidar a capacidade de autodeterminação da acusada.
“O que antes era uma ‘dúvida razoável’, agora se consolida como uma evidência científica“, afirma a equipe de defesa em nota oficial.
Embate jurídico
A manifestação da defesa visa manter a decisão unânime do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) que, em novembro de 2025, anulou a sentença de pronúncia por entender necessária a realização da perícia médica. O Ministério Público recorreu ao STJ por considerar que não haveria provas suficientes para justificar o incidente, tese que a defesa classifica agora como “confrontada frontalmente” pelo novo laudo técnico.
Nas contrarrazões enviadas à Corte Superior, os advogados sustentam que o recurso do Ministério Público não deve sequer ser analisado, pois exigiria o reexame de provas, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ.
Em nota, a assessoria jurídica reforçou que o objetivo é garantir um julgamento técnico.
“A Justiça não pode se curvar ao clamor público e ignorar a ciência. Nossa luta é para que ela seja julgada pelo que realmente é: uma pessoa com um grave transtorno mental que cometeu um ato trágico, e não um monstro calculista“.
RepórterMT

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