
Troca de ofensas entre o governador e o deputado expõe crise na direita mato-grossense e deixa líderes do partido sem posição pública sobre o embate.
por Daniel Trindade
A troca de ofensas entre o governador Mauro Mendes (União Brasil) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se tornou um dos episódios mais tensos da política mato-grossense nos últimos anos. O conflito começou depois que Mendes afirmou que o parlamentar “está louco” e “fala merda lá dos Estados Unidos”, ao comentar críticas feitas por Eduardo ao governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). A resposta veio em vídeo: o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro reagiu chamando o governador de “frouxo, covarde e bosta”, elevando o tom da disputa e deixando clara a divisão dentro da direita.
O que mais chama atenção, no entanto, não são apenas os insultos trocados, mas o silêncio das lideranças do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso. Nomes como Abilio Brunini, Cláudio Ferreira, além de prefeitos e filiados que antes defendiam a aproximação com Mauro Mendes, agora evitam se manifestar. Esse silêncio é visto como sinal de desconforto com a briga entre dois aliados que, até pouco tempo atrás, estavam do mesmo lado político.
Nos bastidores, integrantes do PL admitem que o partido vinha mantendo uma postura de acomodação em relação ao governo estadual. A legenda, que comanda uma parte expressiva do eleitorado e se firmou como símbolo do bolsonarismo, teria se colocado em posição subordinada em Mato Grosso, priorizando acordos administrativos e apoio institucional em vez da identidade ideológica.
A fala recente de Michelle Bolsonaro, ao criticar os chamados “bolsonaristas de ocasião” apelidados de “surfistas”, por aderirem ao movimento apenas quando ele está em alta, aumentou o mal-estar interno. Segundo aliados, a declaração foi entendida como um recado direto a lideranças que evitam confrontos políticos para preservar espaço de poder no estado.
Muitos dos que se dizem bolsonaristas fingiram não entender o recado e agora também fingem que não precisam se posicionar. Evitam vir a público dar satisfação aos eleitores sobre o embate entre Eduardo Bolsonaro, com quem compartilham alinhamento ideológico, e o governador Mauro Mendes, que tenta impor o controle político do PL em Mato Grosso a toque de caixa.
Mesmo com a crise aberta, nenhum comunicado oficial foi divulgado pelo diretório estadual do PL, e as principais lideranças continuam em silêncio. A estratégia é interpretada como uma forma de evitar atritos com ambos os lados: de um lado, Mauro Mendes, governador reeleito com alta popularidade; do outro, Eduardo Bolsonaro, uma das vozes mais influentes do bolsonarismo nacional.
Esse silêncio também é visto como um gesto político calculado. Ao não se manifestar, o PL mostra que o impasse vai além de uma troca de ofensas pessoais. A disputa entre Mendes e Eduardo reflete uma luta pelo comando da direita em Mato Grosso e pela liderança sobre um eleitorado que continua majoritariamente conservador.
Enquanto Mauro Mendes tenta manter a imagem de gestor técnico e pragmático, o grupo bolsonarista cobra fidelidade e alinhamento ideológico. A ausência de declarações públicas de figuras que sempre defenderam o bolsonarismo indica que muitos preferem esperar para ver quem sairá mais forte.
O episódio deixa muito bem claro uma divisão silenciosa que pode afetar diretamente as alianças políticas em Mato Grosso. A crise deve ter impacto nas eleições de 2026, quando Mauro Mendes deixará o governo e o PL buscará se reorganizar para manter influência no estado. Até lá, o barulho causado pela briga entre Mendes e Eduardo Bolsonaro deve continuar ecoando enquanto o silêncio dentro do partido segue mais alto que qualquer discurso.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"





