
Mobilização acontece na próxima segunda-feira (10), em frente à Diretoria-Geral, em protesto contra a falta de reconhecimento e o impasse nas negociações com o governo estadual.
por Daniel Trindade
Os policiais civis de Mato Grosso convocaram uma Assembleia Geral Unificada para a próxima segunda-feira (10), às 14h, em frente à Diretoria-Geral da Polícia Civil, em Cuiabá. O ato, organizado por inspetores e investigadores, pretende cobrar valorização profissional, reajuste salarial e a retomada do projeto de reestruturação da carreira, que está paralisado há meses.
De acordo com as lideranças sindicais, o movimento é uma resposta à falta de valorização e de diálogo por parte do governo estadual, que, segundo a categoria, vem adiando as negociações e ignorando o impacto da defasagem salarial sobre os servidores.
Entre os motivos de insatisfação, está o Decreto nº 1.716/2025, que criou o programa Premiação Anual por Eficiência e Resultado (PAER/SESP) uma gratificação por produtividade que o governo defende como incentivo de desempenho. Para os sindicatos, no entanto, a medida reforça a falta de reconhecimento estrutural e não resolve as distorções salariais dentro da corporação.
“Chegou a hora de mostrarmos nossa união e força. Precisamos cobrar respeito, valorização e o andamento completo do nosso projeto de reestruturação não apenas a unificação de atribuições, mas também o reconhecimento salarial”, afirmou um dos organizadores durante a convocação.
O dirigente Bláucio, integrante da comissão de mobilização, convocou os colegas a comparecerem uniformizados com a camisa da Polícia Civil como forma de mostrar coesão.
“Vamos dobrar o número de participantes. Todos uniformizados, para mostrar que a categoria está unida e determinada a lutar pelos seus direitos”, reforçou.
A categoria reivindica equiparação salarial, melhorias nas condições de trabalho e avanço imediato do projeto de reestruturação, que tramita na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) sem previsão de votação. Para o Sindicato dos Escrivães e Investigadores de Polícia (Sinpol-MT), o governo tem demonstrado falta de sensibilidade com as pautas da segurança pública e adota medidas paliativas em vez de corrigir desigualdades históricas.
“Enquanto o governo cria bônus por produtividade, a base segue sem valorização real. É um desrespeito com quem garante a segurança da população mato-grossense”, declarou um dirigente sindical.
Em nota oficial, o Governo de Mato Grosso afirmou que reconhece o trabalho das forças de segurança e que o novo sistema de gratificação busca “premiar resultados e estimular eficiência”. O Executivo defende que a política faz parte de um modelo de gestão voltado à meritocracia e à sustentabilidade fiscal.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) informou que mantém diálogo com as entidades representativas, mas ponderou que “qualquer avanço precisa respeitar os limites orçamentários do Estado”. A pasta reforçou que as propostas de reestruturação estão sendo analisadas pelo setor econômico do governo para evitar impacto financeiro insustentável.
Apesar da sinalização oficial, os servidores dizem que as conversas não evoluíram para medidas concretas e que a sensação predominante é de desvalorização institucional e abandono funcional.
“O governo reconhece o trabalho, mas não demonstra isso em ações práticas. A base está cansada de promessas”, resumiu outro integrante do movimento.
O ato da próxima segunda-feira deve reunir policiais civis de diversas regiões do estado e servirá como termômetro para novas mobilizações. As lideranças não descartam paralisações ou operação-padrão caso o governo não apresente um cronograma de avanços salariais e estruturais.
Atualmente, a Polícia Civil de Mato Grosso conta com milhares de inspetores e investigadores ativos. Mesmo com carga de trabalho elevada e funções acumuladas, a categoria está há anos sem reajuste expressivo, enquanto outras carreiras da segurança pública e do sistema de justiça conquistaram avanços recentes.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"



