Por Daniel Trindade, Portal de Notícias Deixa Que Eu Te Conto
O controverso leilão do arroz da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) contou com a participação direta do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, que determinou tanto o preço quanto o prazo para a entrega do cereal. A revelação foi feita por Thiago dos Santos, ex-diretor de Operações e Abastecimento da Conab, que foi demitido junto com o ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Neri Geller, em junho deste ano.
Contexto da demissão
Thiago dos Santos, que tem ligações políticas com Neri Geller, afirmou em entrevista exclusiva ao J1 que sua demissão foi uma consequência direta da saída do ex-secretário. “Fávaro queria encerrar o assunto do leilão e acabar com o desgaste. Eu sou aliado do Neri, então, quando mandaram o Neri embora, não iriam manter o diretor”, explicou.
Detalhes do leilão
O leilão visava a compra de 300 mil toneladas de arroz devido às enchentes no Rio Grande do Sul, maior produtor do cereal no país. Inicialmente, a compra seria de 100 mil toneladas para garantir o abastecimento em todas as regiões. No entanto, contrariando a recomendação do Parecer Técnico da Conab, o Governo Federal decidiu aumentar o montante a ser comprado.
“O Governo fez uma medida provisória para autorizar a compra de 104 mil toneladas. Fávaro ligou para nós e disse que ia cancelar. Então, veio a determinação da Casa Civil junto com o ministro Fávaro de fazer 300 mil toneladas. O prazo era de 30 dias, mudou tudo e nós só cumprimos”, explicou Santos.
Interferência no preço e prazo
Thiago dos Santos afirmou que o valor estipulado por Fávaro, de no máximo R$ 5 por quilo, desestimulou a participação de muitas empresas no leilão. Além disso, o aumento do prazo de entrega de 30 para 90 dias atraiu vendedores do mercado asiático.
“Não tivemos como trabalhar tecnicamente o preço. Se não fosse o valor de R$ 5, teríamos mais participantes no leilão. A interferência do ministro Fávaro foi decisiva para isso acontecer. Fizemos uma nota técnica sugerindo um preço diferente e alertando sobre o risco de atrair apenas produtos asiáticos, que não são os preferidos no nosso mercado. A nota técnica destacava esse risco”, garantiu Santos.
Motivações políticas
Para Santos, o cancelamento do leilão não teve motivação técnica. “Não há motivo técnico para cancelar o leilão. O que motivou o cancelamento foi o medo. Tinha que ter sido finalizado. O problema foi político, tenho certeza”, afirmou.
Ele também acredita que a saída de Neri Geller do Mapa foi uma questão política, já que ele não teve participação ativa no leilão. “Colocaram a culpa nas costas do Neri. Ele caiu porque agiram com injustiça, acho que foi bode expiatório. Ele nunca perguntou sobre quem ganhou o lote A ou lote B. Quem ganhasse o leilão, eu mandaria os fiscais da Conab, que são os mais rígidos do país, para o país de origem para conferir o produto, por segurança. Quando chegasse na Conab, os técnicos de qualidade iriam atestar para a empresa poder receber só depois. O processo é 100% rigoroso e seguro”, concluiu Santos.
Com informações do J1 Agora.
Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"



