Com só 7 aeronaves próprias para o País todo, órgão ambiental vê fogo avançar nos biomas e governo Lula patina no combate à crise; Ministério do Meio Ambiente diz ter aumentado em 18% o nº de agentes
A estrutura do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), divisão do Ibama que cuida do combate a incêndios, é mínima diante das dimensões continentais do Brasil. O órgão federal tem só 2.108 brigadistas para atuar diretamente em uma área de 30 milhões de hectares em todo o País. Ou seja: um agente do Prevfogo, na média, para cada área equivalente a 13,1 mil campos de futebol. Além disso, faltam equipamentos, como aeronaves próprias, para dar suporte.
O Amazonas registrou em outubro recorde de queimadas, que destroem da floresta e levam nuvens de fumaça a várias cidades. Também há alta no Pantanal, onde os incêndios, fora do controle, ameaçam refúgios de onças-pintadas. A gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) patina na resposta à crise.
O Ministério do Meio Ambiente diz que há 18% mais brigadistas do que ano passado. Mas o próprio presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, admitiu ao Estadão que a estrutura é insuficiente.
Apesar de reconhecer o problema, o governo não apresentou reforços imediatos nos últimos dias. No caso da floresta, o ministério disse que pedirá mais verba do Fundo Amazônia e liberou outros R$ 405 milhões do programa para os Estados na sexta-feira.
A estiagem, intensificada pelo El Niño, já era prevista pelos cientistas para essa época do ano. No último mês, os brigadistas relatam uma rotina de precariedade. Há equipes em 20 unidades da Federação, sendo Mato Grosso, que abriga Amazônia e Pantanal, o Estado com mais agentes (301).
Brigadista do Ibama há 13 anos, Nivaldo Lima havia acabado de chegar do Xingu, na Amazônia, quando foi chamado na terça-feira, 14, para reforçar a operação no Pantanal. Ao Estadão, ele relata a rotina extenuante.
“Nosso trabalho é cansativo. É muito seco, muito sol, passamos dificuldade e fome devido à correria e ao local de acesso precário, só chega de aeronave ou de barco. Às vezes, a alimentação não chega direito. A gente trabalha virando dia e noite”, conta. A área direta de atuação dos brigadistas em terras federais, como unidades de conservação, reservas indígenas ou quilombolas.
Ele diz que, muitas vezes, a sensação térmica a que os brigadistas são submetidos ultrapassa os 50ºC. Em matas de difícil acesso, os brigadistas só conseguem carregar 20 litros de água cada um para apagar as chamas, já que precisam acessar o local a pé.
Mesmo diante do risco imposto pela profissão, por lei, os brigadistas são contratados por um período de apenas seis meses. “As contratações são feitas de acordo com as realidades regionais, atendendo aos períodos mais críticos. No bioma Cerrado, por exemplo, o período mais crítico começa em junho, enquanto que no Estado de Roraima e no sul da Bahia começa em novembro”, diz o Ibama.
O prazo de trabalho de Lima termina no fim de novembro. “Nosso contrato é de seis meses. Deveria estender esse contrato para sete ou para nove meses, para que pudessem contratar antes do início das estiagens, começar a fazer trabalhos preventivos, e ficasse até dezembro para atuar. Seria um passo importante”, afirma.
E não há confirmação sobre nova ampliação das brigadas. O instituto afirmou à reportagem que o aumento depende de questões orçamentárias e recursos humanos disponíveis. ” Com o investimento em qualificação de pessoal, o número atual poderá ser ampliado”, disse.
FONTE : ESTADÃO
Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






