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DNA confirmou autoria do investigador Manoel Batista da Silva, que teve prisão mantida. Delegada afirma que crime mancha imagem da corporação.
da Redação
A Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva do investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos, nesse domingo, 1º de fevereiro, após audiência de custódia. Ele estuprou uma detenta dentro da Delegacia de Sorriso (a 398 km de Cuiabá), crime que foi confirmado por exame de DNA. O promotor de Justiça Luiz Fernando Rossi Pipino, do Ministério Público de Mato Grosso (MP-MT), que solicitou a prisão, alegou uso de “aparato estatal” para justificar a preventiva. O processo tramita em sigilo.
A investigação, conduzida pela delegada Laysa Crisóstomo de Paula Leal, do Núcleo de Atendimento à Mulher, Adolescente e Criança de Sorriso, teve um ponto crucial na sexta-feira, 30 de janeiro. O processo começou a partir da denúncia da vítima e incluiu a oitiva da detenta, depoimentos de outras presas e exames periciais. “Nesse exame, nós fizemos o confronto do material genético encontrado com o de todos os policiais que estavam de plantão naquele dia e, infelizmente, um deles testou positivo. O resultado foi que ele era contribuinte, tinha DNA masculino, naquele material coletado da vítima”, afirmou a delegada.
Diante do resultado, a delegada representou pela prisão preventiva e por um mandado de busca e apreensão contra o policial, solicitações que foram deferidas pela Justiça. Por volta das 6h30 de domingo, equipes da Delegacia de Sorriso cumpriram os mandados na residência do servidor, no bairro Jardim Aurora, onde ele foi detido e permanece à disposição da Justiça. Durante a ação, foram apreendidos itens funcionais do policial, como armas de fogo, munições, algemas, colete balístico e um celular, todos lacrados e encaminhados para perícia.
Em manifestação encaminhada ao Poder Judiciário no sábado, 31 de janeiro, o promotor Pipino havia enfatizado a gravidade dos fatos: “É preciso deixar claro que o representado detinha posição de autoridade, exercia poder direto e imediato sobre a vítima, utilizou-se da assimetria absoluta de forças para satisfazer interesse pessoal (de ordem sexual) criminoso.”
O promotor sublinhou que a situação da vítima era de total vulnerabilidade, estando sob custódia do Estado. “Não foi apenas estupro, foi estupro cometido com abuso do aparato estatal”, reiterou Pipino, destacando que o crime ocorreu no interior da delegacia, durante o plantão oficial e no exercício da função pública do investigador.
A delegada Laysa Crisóstomo reforçou a posição da corporação: “Sabemos que isso mancha a imagem da nossa polícia, a Polícia Judiciária Civil de Sorriso. Neste momento, estamos vindo a público para denunciar uma falha, uma falha ocorrida no interior da nossa unidade. Mas, vocês podem ter certeza que qualquer conduta ilegal, que for praticada na delegacia de Sorriso, tanto eu quanto os demais delegados, ninguém vai passar pano. Não somos coniventes com esse tipo de atitude. Nós vamos apurar, investigar e, constatando os fatos, vamos cortar o mal pela raiz.”
Diante da brutalidade e das circunstâncias do ocorrido, o MP argumenta que não há condições para que o investigado aguarde o julgamento em liberdade. “Quem transforma uma delegacia de polícia em cenário de estupro não pode aguardar o julgamento em liberdade”, concluiu o promotor em trecho do documento.
A Corregedoria-Geral da Polícia Civil informou que acompanha o caso e aguarda a conclusão do inquérito para adotar as providências legais cabíveis. Manoel Batista da Silva atua na Polícia Civil desde 2001 e recebe salário de R$ 22,3 mil, conforme dados do Portal da Transparência.

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