
Relatos apontam expedições com pagamento, grupos organizados e estrutura dentro de aldeias em Feliz Natal
por Daniel Trindade
Relatos de participantes e materiais analisados pela reportagem indicam que as pescarias realizadas no território indígena do Xingu, em Mato Grosso, seguem um modelo organizado, com formação de grupos, cobrança por participação e estrutura de permanência dentro de aldeias na região de Feliz Natal.
De acordo com depoimentos obtidos durante a apuração, as expedições são realizadas com grupos que podem reunir entre 20 e 25 pessoas, com cobrança aproximada de R$ 2,5 mil por participante a R$ 4,500. Segundo os relatos, o valor inclui alimentação e permanência dentro da comunidade indígena.
“Quem organiza é uma pessoa da cidade. O valor foi pago para ele. Ficamos na aldeia e o grupo era grande, mais de 20 pessoas”, relatou um dos participantes ouvidos pela reportagem.
Os materiais analisados também indicam a oferta de pacotes com café da manhã, almoço e jantar, além de bebidas, incluindo cervejas de marcas comerciais. As atividades são divulgadas como pesca esportiva e incluem suporte logístico para deslocamento e permanência na região.
Segundo os relatos, os participantes são orientados a enviar documentos pessoais, como RG e CPF, antes da realização das viagens, sob a justificativa de liberação para acesso ao território.
“Foi pedido RG e CPF, disseram que precisava enviar para alguém autorizar a pescaria”, afirmou outro participante.
As expedições ocorrem com hospedagem dentro das aldeias e envolvem permanência por dias, com deslocamento em embarcações ao longo dos rios da região.
Durante a apuração, também foram identificadas imagens e registros de pescarias realizadas dentro da Aldeia Morená, com grupos reunidos, captura de peixes de grande porte e atividades noturnas.
A organização das expedições e a presença de não indígenas dentro do território são pontos citados nas denúncias encaminhadas ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso e estão entre os principais aspectos em análise pelas autoridades.
A reportagem também recebeu relatos que mencionam a participação de intermediadores na organização dos grupos, com cobrança e definição dos roteiros das viagens.
As atividades ocorrem em meio a questionamentos sobre autorização formal, fiscalização e impactos ambientais, temas que seguem sob apuração de órgãos competentes.
A reportagem continua acompanhando o caso.
Leia também…
Denúncia de pescarias no Xingu chega ao MP em MT – SÉRIE ESPECIAL XINGU- PARTE 1
Denúncia expõe pescarias no Xingu e acende alerta sobre exploração em área indígena
Ibama confirma pesca ilegal no Xingu e denúncia envolve vereador de Feliz Natal (MT)
Denúncia de pescarias no Xingu chega ao MP em MT e mobiliza lideranças indígenas
Não perca nenhum detalhe desta e de outras notícias importantes. Siga nosso canal no WhatsApp e acompanhe nosso perfil no Instagram para atualizações em tempo real.
Tem uma denúncia, sugestão de pauta ou informação relevante? Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp ou pelo telefone (66) 99237-4496. A sua participação fortalece um jornalismo comprometido com a comunidade
Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"






