
Governador tentou impedir convocação do ex-governador na CPI do Crime Organizado, mas comissão decidiu que ambos enviarão suas versões por escrito sobre denúncias ligadas ao Banco Master e ao caso Oi S.A.
por Daniel Trindade
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), esteve no Senado Federal para tentar barrar a convocação do ex-governador Pedro Taques na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. A movimentação ocorreu nos corredores da Casa e contou com a presença da suplente de senadora Margareth Buzetti (PP), aliada política do chefe do Executivo estadual.
A articulação buscava retirar da pauta o requerimento que previa o depoimento de Taques à comissão. O item chegou a constar na pauta de votação da CPI, mas acabou sendo retirado antes da deliberação após pedido feito ao relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Apesar da tentativa de barrar a participação do ex-governador, o resultado da movimentação política acabou sendo diferente do esperado pelo Palácio Paiaguás. A CPI decidiu que, neste primeiro momento, tanto Mauro Mendes quanto Pedro Taques deverão encaminhar suas versões dos fatos por escrito aos integrantes da comissão.
Nos bastidores do Senado, a presença de Mauro Mendes foi interpretada como uma tentativa de evitar que o ex-governador leve à CPI denúncias relacionadas a operações financeiras investigadas pela comissão. Entre os temas que poderiam ser abordados no depoimento estão o sistema de crédito consignado em Mato Grosso, a atuação do Banco Master e a operação envolvendo recursos pagos pelo governo estadual no caso da recuperação judicial da Oi S.A.
O receio entre aliados do governador é que um eventual depoimento de Pedro Taques amplie o alcance das investigações da CPI e leve senadores a solicitar a quebra de sigilos bancários, telefônicos e telemáticos de pessoas e empresas ligadas às operações investigadas.
O requerimento apresentado pelo senador Alessandro Vieira destacava que Taques possui conhecimento técnico relevante sobre o funcionamento da administração pública e do sistema financeiro, além de ter exercido cargos como procurador da República, senador e governador de Mato Grosso. Segundo o parlamentar, o depoimento poderia contribuir para esclarecer possíveis irregularidades em contratos de crédito consignado destinados a servidores públicos.
Denúncias apresentadas a órgãos de controle apontam que operações envolvendo empréstimos consignados podem ter causado prejuízos a cerca de 14 mil servidores públicos estaduais. Parte dessas operações teria sido intermediada por empresas ligadas ao Banco Master, instituição financeira que também passou a ser alvo de investigações em diferentes frentes no país.
Outro ponto sensível envolve a transação relacionada à recuperação judicial da empresa de telecomunicações Oi S.A. Durante a atual gestão estadual, o governo de Mato Grosso realizou o pagamento de cerca de R$ 308 milhões a fundos de investimento ligados à negociação da dívida da companhia.
Posteriormente, denúncias apresentadas a órgãos de controle indicaram que esses fundos teriam sido estruturados dentro do ecossistema financeiro associado ao Banco Master. Segundo essas representações, os recursos pagos pelo Estado teriam circulado por diferentes fundos de investimento antes de retornar a empresários ligados ao estado.
As denúncias foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República, ao Ministério Público de Mato Grosso, ao Tribunal de Contas do Estado e à Assembleia Legislativa.
Com a decisão da CPI, tanto Mauro Mendes quanto Pedro Taques deverão apresentar suas manifestações formais por escrito aos senadores. A convocação presencial do ex-governador não foi descartada e pode voltar a ser analisada pela comissão em sessões futuras, dependendo da avaliação dos integrantes do colegiado.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"










