
Registro mostra peixe de grande porte boiando na água após atividade de pesca na região ligada ao território indígena do Xingu.
Imagens mostram captura de peixes gigantes na Aldeia Morená, em Mato Grosso; denúncia também cita vereador de Feliz Natal.
por Daniel Trindade
A redação recebeu uma denúncia que relata possíveis práticas de pesca predatória, caça e promoção de turismo em áreas ligadas ao território indígena do Xingu, em Mato Grosso. O documento menciona atividades próximas às aldeias Morená, Guarujá e Caniné e aponta que as ações poderiam envolver exploração de recursos naturais em regiões tradicionalmente ocupadas por povos indígenas.
Após o recebimento do material, a denúncia foi encaminhada às autoridades competentes para conhecimento e eventual apuração. A redação também enviou o conteúdo recebido ao presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Rodrigo Agostinho, em Brasília, para ciência do caso e possível análise por parte do órgão ambiental. A reportagem seguirá acompanhando os desdobramentos da denúncia.
De acordo com o relato apresentado no documento, as atividades estariam sendo divulgadas por meio de redes sociais e envolveriam expedições de pesca esportiva e turismo na região. A denúncia cita o vereador do município de Feliz Natal (MT), Remy de Souza Alves Côrrea (PL), apontado como uma das pessoas que promoveriam ou organizariam grupos interessados em participar dessas pescarias.
Entre os episódios mencionados está a divulgação de um evento denominado “Elas que Pesca”, anunciado para ocorrer entre os dias 8 e 12 de abril. Segundo o documento, o evento teria vagas limitadas e seria voltado à prática de pesca na região do Xingu.
O texto também relata que, segundo comentários que circulam no município, empresários e políticos de cidades vizinhas estariam entre as pessoas que frequentam a região para participar de pescarias e atividades turísticas organizadas nas proximidades das aldeias indígenas.
Outro ponto citado na denúncia envolve a suposta cooperação de um cacique da aldeia Morená que permitiria a entrada de visitantes nas terras indígenas mediante pagamento. No entanto, o documento não apresenta a identificação nominal da liderança indígena mencionada.
Imagens recebidas pela redação e registros publicados em redes sociais mostram momentos de pescarias realizadas na região da Aldeia Morená, localizada no município de Feliz Natal. Em algumas publicações, participantes aparecem reunidos em grupo dentro da comunidade indígena, em registros que identificam o local como “Aldeia Morená, Feliz Natal – MT”.
Outro registro mostra um grupo maior de participantes reunidos próximo ao rio durante uma pescaria. Na imagem divulgada nas redes sociais, uma seta indica a presença do vereador Remy de Souza Alves Côrrea, identificado na postagem como participante da atividade.
Também circulam nas redes sociais fotografias de pescarias noturnas em que participantes aparecem dentro da água exibindo um exemplar de piraíba, um dos maiores peixes de água doce da Amazônia. O animal é segurado por várias pessoas durante o registro fotográfico.
Outras imagens recebidas pela redação mostram um peixe de grande porte boiando na água aparentemente sem sinais de vida. Os registros mostram diferentes ângulos do animal com partes do corpo expostas acima da superfície, o que levanta questionamentos sobre o estado do peixe após a captura.
De acordo com relatos citados na denúncia, alguns animais capturados durante essas pescarias não teriam resistido após o processo de captura, mesmo quando a atividade é apresentada como pesca esportiva, modalidade em que o peixe normalmente é devolvido ao rio após ser fisgado.
Além das questões ambientais, o documento também levanta questionamentos sobre possível incompatibilidade entre renda declarada e patrimônio do vereador citado. Segundo o denunciante, a construção recente de um imóvel de alto padrão no município de Feliz Natal deveria ser objeto de investigação patrimonial para verificar a origem dos recursos utilizados.
A denúncia também menciona dispositivos legais relacionados à proteção das terras indígenas e da fauna brasileira, entre eles o artigo 231 da Constituição Federal, o Estatuto do Índio e a Lei de Crimes Ambientais. O denunciante solicitou sigilo sobre sua identidade com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e pediu que as autoridades avaliem se as práticas relatadas configuram crime ambiental ou outras irregularidades administrativas ou penais.
Após receber o documento, a redação procurou as pessoas citadas para ouvir suas versões sobre os fatos.
A empresária Larissa Amorim afirmou que não possui envolvimento direto com a organização das pescarias mencionadas na denúncia e que apenas ajudou na divulgação do evento nas redes sociais.
“Eu não tenho nada a ver com as pescarias. No anúncio está claro que é para tratar com o Remy. Eu só ajudei a divulgar porque tenho um Instagram de pesca”, afirmou.
Larissa também declarou que nunca esteve no local citado e afirmou que decidiu cancelar a divulgação da pescaria após a repercussão das denúncias.
“Nunca fui lá. Só ajudei a divulgar por ser bem conhecido e gostar de pesca. Eu já até cancelei essa pescaria por causa dessas denúncias”, disse.
Já o vereador Remy de Souza Alves Côrrea afirmou que a pesca esportiva mencionada na denúncia não ocorre nas três aldeias citadas no documento e que a atividade acontece especificamente na Aldeia Morená.
“A pesca esportiva é na Aldeia Morená. Quem faz as pescarias é o indígena Pablo Kamaiura. A gente organiza grupos de amigos que querem ir pescar lá”, afirmou.
Segundo o vereador, o responsável pela operação das pescarias seria o indígena Pablo Kamaiura, morador da cidade de Canarana, que organizaria as atividades e receberia os visitantes interessados.
Remy também explicou como funcionaria a cobrança para participação nas pescarias.
“É cobrado dependendo da quantidade de dias que nós vamos ficar lá. Se a gente vai ficar cinco dias paga cerca de mil e quinhentos reais. Quando tem alimentação incluída pode chegar a oitocentos reais por dia”, disse.
Sobre a participação da empresária citada na denúncia, o vereador afirmou que ela apenas tentava reunir pessoas interessadas na viagem.
“A turma dela queria ir. No mínimo precisa de seis pessoas para viabilizar a pescaria. Elas estavam tentando arrumar mais gente porque tinham só duas interessadas”, afirmou.
O vereador também declarou acreditar que as denúncias possuem motivação política.
“Essas denúncias têm cunho politiqueiro por eu ser vereador e fazer oposição. Acredito que o objetivo seja desviar o foco”, afirmou.
A reportagem também tentou contato com Pablo Kamaiura, citado como responsável pela organização das pescarias, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno.
A redação reforça que o espaço permanece aberto para manifestações de outras pessoas ou instituições eventualmente citadas, bem como para posicionamentos de órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental e pela proteção das terras indígenas.
Veja as fotos que recebemos no anexo da denúncia:
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"




















