
Lideranças de aldeias relatam impactos no território, cobram fiscalização e denunciam atividades em área indígena em Feliz Natal
por Daniel Trindade
Denúncias sobre a realização de pescarias e atividades turísticas dentro do território indígena do Xingu, em Mato Grosso, foram formalizadas no Ministério Público do Estado de Mato Grosso por lideranças indígenas que relatam impactos ambientais, dificuldades na pesca tradicional e falta de consenso entre as comunidades sobre a prática.
O caso envolve áreas próximas ao município de Feliz Natal e reúne relatos de representantes de diferentes aldeias do Médio Xingu, que apontam a presença de não indígenas, organização de expedições e possível exploração econômica dentro do território.
De acordo com documentos obtidos pela reportagem, a denúncia menciona a realização de pesca esportiva com cobrança e possível impacto sobre os recursos naturais utilizados para subsistência das comunidades. O material também inclui relatos sobre atividades que estariam ocorrendo sem autorização formal de órgãos competentes.
Uma ata de reunião realizada no dia 24 de março, em Feliz Natal, registra que caciques e lideranças indígenas manifestaram preocupação com a continuidade das atividades e solicitaram apoio das autoridades para proteção dos rios e do território.
Em entrevista à reportagem, a liderança indígena Awa Kaiabi afirmou que a prática, da forma como vem sendo realizada, não possui respaldo legal.
“Até o momento a gente acha que isso tá sendo feito ilegal. Nós lideranças indígenas querem que a pesca seja legalizada, mas o que está acontecendo hoje vem prejudicando a população indígena, sem autorização de autoridade”, afirmou.
O líder indígena Tukupé Waurá também relatou impactos diretos nas comunidades e aumento do fluxo de embarcações.
“Os barcos passam o dia todo. A gente vive de peixe, e quando passa barco atrás de barco, acaba com o rio. Demora uma semana para o peixe voltar, e quando começa a voltar, os barcos passam de novo”, disse.
Já o cacique Kowo Trumai afirmou que a atividade tem causado prejuízos aos peixes e às comunidades.
“O peixe sofre quando você pega. Tem peixe que não aguenta. Nós, indígenas do Xingu, sempre lutamos contra essa pesca esportiva”, afirmou.
Outras lideranças também relataram dificuldades para garantir alimento às famílias. Segundo a liderança Kururi Ku Ikpeng, a atividade tem afetado diretamente a pesca tradicional.
“Hoje fica difícil trazer alimento para a comunidade. Antes era mais fácil, agora ficou difícil para nós”, disse.
O líder indígena Apayatu Waurá afirmou que a prática ocorre há anos e cobrou atuação dos órgãos responsáveis.
“A gente precisa de uma ação imediata da FUNAI e do IBAMA. Essa prática já vem há muito tempo e precisa ser fiscalizada”, afirmou.
Segundo os relatos reunidos pela reportagem, as atividades têm gerado divergências internas entre comunidades indígenas, com parte das lideranças contrária à continuidade da pesca esportiva nas condições atuais.
Com a formalização da denúncia no Ministério Público, o caso passa a ser acompanhado oficialmente e pode avançar para apuração por órgãos competentes.
A reportagem segue acompanhando os desdobramentos.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"







