Exigências sanitárias sobre uso de antimicrobianos levaram bloco europeu a retirar Brasil da lista de exportadores autorizados
Da Redação
A retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e produtos de origem animal para a União Europeia elevou a preocupação no agronegócio mato-grossense diante dos possíveis reflexos sobre exportações e mercado interno.
Com o maior rebanho bovino do país, Mato Grosso acompanha as negociações conduzidas pelo governo federal para tentar reverter a medida antes de setembro, prazo previsto para o início das restrições.
A exclusão foi aprovada pela Comissão Europeia na terça-feira (12). Até a entrada em vigor da medida, os embarques seguem normalmente.
Segundo autoridades europeias, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária. Esses medicamentos incluem antibióticos utilizados no tratamento e na prevenção de doenças em animais. O bloco europeu exige comprovação de rastreabilidade, fiscalização e respeito aos períodos de carência entre a aplicação e o abate.
A restrição envolve carne bovina, aves, ovos, pescado, mel e outros produtos de origem animal. Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a exportar para os países europeus.
Em 2025, o Brasil exportou 128,9 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia, movimentando US$ 1,06 bilhão. Após o anúncio da exclusão, o governo federal informou ter sido pego de surpresa e iniciou negociações técnicas para tentar recolocar o país na lista de exportadores autorizados.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a qualidade da carne brasileira é “inatacável” e disse que o país encaminhará novas informações para comprovar o cumprimento das exigências sanitárias. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também reagiu. O presidente da entidade, Roberto Perosa, classificou a decisão como precipitada e afirmou que o tema passou a ser acompanhado diretamente pelo Itamaraty e pelo Palácio do Planalto.
O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, afirmou que os países europeus representam pequena parcela das exportações brasileiras e disse que o segmento acompanha os possíveis efeitos da decisão.
“Exportamos para 165 países. A China é de longe o nosso maior comprador”, afirmou.
Conte também defendeu cautela para avaliar se a decisão envolve apenas exigência sanitária ou possível barreira comercial.
Já o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, afirmou que o segmento mantém controles sobre o uso de antimicrobianos e disse que a saída será reforçar mecanismos de fiscalização e rastreabilidade.
O secretário de Fazenda de Mato Grosso, Fábio Pimenta, afirmou que a restrição não deve provocar impacto imediato na arrecadação estadual porque o estado possui uma carteira diversificada de compradores internacionais. Segundo ele, Mato Grosso exporta para mercados como China, Índia e Estados Unidos, o que reduz a dependência das vendas para os países europeus.
Mato Grosso possui 32,8 milhões de cabeças de gado, segundo dados do IBGE citados pelo setor. No primeiro trimestre de 2026, as exportações estaduais de carne bovina cresceram 74% e somaram US$ 1,136 bilhão. No mesmo período, o estado registrou recorde histórico de abate, com 1,8 milhão de bovinos.
Até setembro, governo federal e entidades do agro tentam evitar que a restrição avance sobre um dos principais mercados da carne brasileira.
Redação
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