Sessão anterior foi anulada após confronto entre juíza e defesa. Investigador responde pela morte do PM Thiago Ruiz em posto de combustível.
Da Redação
Quase cinco meses após o julgamento ser interrompido em meio a um confronto entre a magistrada responsável pelo caso e os advogados de defesa, o policial civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves volta ao Tribunal do Júri nesta terça-feira (12), em Cuiabá, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz.
O julgamento será realizado no Fórum da Capital, a partir das 9h, sob presidência do juiz Marcos Faleiros da Silva, da 4ª Vara Criminal. A sessão também será transmitida ao vivo pelo canal oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) no YouTube.
Mário Wilson responde por homicídio qualificado, com as agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT).
A primeira tentativa de julgamento ocorreu em dezembro de 2025, mas acabou anulada após uma sequência de discussões no plenário entre a então juíza responsável pelo caso, Mônica Perri, e os advogados do investigador.
O impasse começou durante o interrogatório do réu, quando o advogado Cláudio Dalledone acusou a magistrada de limitar a atuação da defesa e acionou representantes da OAB-MT.
A tensão aumentou depois que Mônica Perri determinou a retirada dos advogados da sala. Durante a discussão, a magistrada afirmou: “Ah, que se dane, uai. Vocês estão aí só levantando OAB, OAB, OAB”. Em seguida, um dos defensores respondeu: “Manda prender então, Excelência”.
Após o episódio, o julgamento foi suspenso e o Conselho de Sentença dissolvido. Posteriormente, Mônica Perri declarou suspeição para continuar no processo após representação apresentada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com isso, os atos da sessão anterior foram anulados e o júri será reiniciado do zero.
O crime aconteceu na madrugada de 27 de abril de 2023, em um posto de combustível nas proximidades da Praça 8 de Abril, na região central de Cuiabá.
Segundo a investigação, Thiago Ruiz estava no local acompanhado de amigos quando Mário Wilson chegou e passou a conversar com o grupo. Imagens de câmeras de segurança registraram os dois momentos antes dos disparos.
Conforme a denúncia do Ministério Público, o policial militar levantou a camisa em determinado momento, deixando a arma que carregava na cintura à mostra. A acusação sustenta que o investigador tomou o revólver da vítima, iniciando uma luta corporal antes dos tiros.
As imagens também mostram pessoas tentando separar os dois durante a confusão.
O Ministério Público afirma que Thiago tentava deixar o local quando foi baleado. O PM chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.
A defesa sustenta que Mário Wilson não reconheceu Thiago como policial militar e afirma que o investigador agiu diante de uma ameaça iminente. Os advogados também devem defender no júri a tese de legítima ação policial, argumentando que o policial civil reagiu conforme o procedimento esperado diante de um homem armado durante a confusão.
Por determinação da direção do Fórum de Cuiabá, o acesso ao plenário será restrito durante o julgamento.
Redação
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