Senadora afirma que projeto de anistia não avançou, mas nova lei já permite revisão de penas após derrubada de veto no Congresso
por Daniel Trindade
A senadora Rosana Martinelli afirmou, por meio das redes sociais, que a aprovação da Lei da Dosimetria representa um avanço na revisão das penas aplicadas a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A parlamentar associou a medida à defesa da liberdade de expressão e de imprensa, pontos que, segundo ela, motivaram sua proposta original de anistia.
Autora de um projeto que previa o perdão aos participantes das manifestações em frente ao Congresso Nacional, Rosana disse que a iniciativa tinha como base direitos garantidos pela Constituição.
“O projeto da anistia no Senado é de minha autoria e concede o perdão para todos que estiveram na praça, defendendo a liberdade de imprensa e de expressão, que é o nosso maior patrimônio”, afirmou.
A proposta de anistia, no entanto, não foi aprovada pelo Congresso. Em seu lugar, avançou a Lei da Dosimetria, que permite a revisão das penas conforme o grau de participação de cada envolvido.
“Não foi possível a aprovação, mas somente a dosimetria, que reduz a pena dos que ainda estão presos e tornozelados. É isso que nós queremos, que eles voltem para suas casas”, declarou a senadora.
A lei entrou em vigor após o Congresso Nacional derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Rosana, a decisão representou um passo importante dentro do cenário político.
“Derrubamos o veto do presidente Lula, que não concordava com essa redução. Foi o que conseguimos. Já foi um grande avanço, principalmente para aqueles que ainda estão presos”, disse.
A Lei da Dosimetria altera critérios para cálculo das penas de condenados pelos atos investigados como tentativa de golpe de Estado. Apesar de já estar em vigor, a aplicação das novas regras não ocorre de forma automática e depende de análise individual pelo Supremo Tribunal Federal, que deverá recalcular as punições caso seja acionado pelas partes envolvidas.
A medida pode alcançar dezenas de condenados e ainda deve gerar novos desdobramentos no Judiciário, diante da possibilidade de questionamentos sobre sua aplicação.