Redução de tarifas abre espaço para exportações, mas aumenta concorrência em setores estratégicos
Da Redação
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor de forma provisória nesta sexta-feira (1º), cria um mercado de cerca de 700 milhões de consumidores e tende a ampliar o alcance internacional do agronegócio brasileiro, com reflexos diretos para estados produtores como Mato Grosso.
A principal mudança está na redução gradual de tarifas. A União Europeia deverá eliminar impostos para a maior parte dos produtos do Mercosul ao longo dos próximos anos, enquanto o bloco sul-americano fará o mesmo para itens europeus em um prazo mais longo.
Na prática, isso pode favorecer cadeias produtivas relevantes para Mato Grosso, como soja, carne bovina, milho e algodão, que já têm forte presença no comércio internacional e tendem a ganhar espaço com custos menores de acesso ao mercado europeu.
Outros segmentos do agronegócio também devem sentir os efeitos do acordo. A proteína animal, especialmente carne de frango e suína, passa a contar com cotas e redução de tarifas, o que pode ampliar o acesso ao mercado europeu ao longo dos próximos anos.
O etanol, outro produto estratégico, ganha espaço com a criação de cotas específicas de exportação, enquanto setores como o pescado, incluindo a tilápia, tendem a se tornar mais competitivos com a retirada de tarifas.
Produtos com maior valor agregado também aparecem entre os beneficiados. No caso do café, por exemplo, a redução progressiva das tarifas deve ampliar a competitividade das exportações, especialmente nos segmentos industrializados. O mesmo movimento é observado em setores como frutas, que passam a disputar espaço com mais vantagem no mercado europeu.
Por outro lado, o acordo também traz desafios para parte do agronegócio e da indústria nacional. A abertura do mercado brasileiro para produtos europeus tende a aumentar a concorrência em algumas áreas, especialmente em segmentos ligados ao campo, como o de máquinas agrícolas, que podem enfrentar a entrada de equipamentos importados a custos mais baixos.
Outros setores acompanham esse cenário com cautela. Produtores de vinho, por exemplo, já indicam preocupação com o aumento da competitividade de rótulos europeus no mercado brasileiro.
Há ainda segmentos com impacto mais limitado. O açúcar continuará operando dentro de cotas de exportação, o que restringe ganhos mais imediatos. Já o setor de lácteos deve ter efeitos reduzidos no mercado interno, devido ao volume considerado baixo de importações previstas.
O acordo também prevê mecanismos de salvaguarda, que permitem ao governo brasileiro adotar medidas temporárias em caso de aumento significativo de importações com impacto sobre a produção nacional.
A redução das tarifas ocorrerá de forma gradual, com prazos que podem chegar a mais de uma década, conforme o tipo de produto e as regras definidas no tratado.
Redação
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