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Um governo que começou trocando os pés pelas mãos

Avatar photo Daniel Trindade 29 de abril de 2026 6 min read
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Otaviano Pivetta assumiu o Governo de Mato Grosso em 31 de março. E, em pouco menos de um mês, conseguiu algo raro: transformar uma transição que poderia ser marcada por estabilidade, continuidade administrativa e construção de autoridade política em uma sequência de ruídos, atritos e declarações mal calibradas.

O problema não é apenas o conteúdo das decisões. É o método. É a incapacidade de compreender que governar não é agir por impulso, reagir a críticas com irritação ou testar limites institucionais como se a política fosse um exercício de vontade pessoal.

O episódio envolvendo o Samu é emblemático. Primeiro, o governo deu sinais de substituição ou reestruturação do serviço sob o argumento de integração com o Corpo de Bombeiros. Depois, diante da repercussão negativa, o discurso foi ajustado para falar em cooperação. O próprio governador admitiu ter se expressado mal.

O problema é que serviços de saúde de urgência e emergência não comportam improviso comunicacional. Quando vidas podem depender da clareza das decisões, segurança operacional e confiança dos profissionais, errar na forma é errar também no conteúdo.

O problema não é apenas o conteúdo das decisões. É o método. É a incapacidade de compreender que governar não é agir por impulso, reagir a críticas com irritação ou testar limites institucionais como se a política fosse um exercício de vontade pessoal

Não é dessa forma que se conduz politicamente uma pauta sensível, apresentando-a de modo abrupto, mal explicado e com aparente desprezo pela ansiedade gerada entre trabalhadores e usuários do serviço.

A mesma contradição aparece no discurso fiscal. Pivetta afirma defender austeridade, controle de gastos e responsabilidade com as contas públicas. Ocorre que austeridade seletiva deixa de ser responsabilidade e passa a parecer escolha política disfarçada de técnica. De um lado, o governador descartou reabrir a discussão sobre a justa RGA e a recomposição de perdas cobradas há anos pelos servidores estaduais; de outro, anunciou o congelamento do Fethab e a não renovação do Fethab 2 para 2027, atendendo à demanda do setor agropecuário.

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O contraste é evidente. Quando se trata do servidor, prevalece o discurso do limite fiscal. Quando se trata da renúncia de receita em favor de um setor econômico poderoso, surge a linguagem da sensibilidade e do alívio tributário. A pergunta é inevitável: austeridade para quem? Responsabilidade fiscal exige coerência, não dureza seletiva contra quem tem menos capacidade de pressão.

Essa assimetria é politicamente explosiva. O servidor público ouve que não há espaço para recomposição mais ampla. O cidadão ouve que é preciso cortar, racionalizar, economizar. Mas, simultaneamente, o Estado abre mão de uma fonte de arrecadação vinculada à infraestrutura e habitação.

Outro episódio mal conduzido foi a tentativa de nomeação da sargento Adriana Rodrigues para o comando do Gabinete Militar. Não se trata de ataque pessoal, nem de discussão simplista sobre gênero ou competência individual. O ponto é institucional.

A Associação dos Oficiais sustentou que o cargo deveria ser ocupado por coronel da ativa, com base na legislação vigente, enquanto entidades de praças saíram em defesa da nomeação. O resultado foi previsível: uma escolha que poderia ter sido discutida previamente, juridicamente blindada e politicamente preparada acabou produzindo tensão entre oficiais e praças, alimentando insegurança institucional dentro de uma corporação em que hierarquia e disciplina não são formalidades decorativas, mas princípios estruturantes.

Na Educação, a nomeação de Flávia Emanuelle Soares também merece análise cuidadosa. A questão não é sua trajetória individual, mas o sinal político da escolha. Educação não é apenas gestão administrativa. Exige liderança pedagógica, legitimidade perante a rede e compreensão real da complexidade do sistema.

Mato Grosso precisa de direção, não de improviso. Governar exige mais do que convicção pessoal; exige prudência, escuta e responsabilidade institucional

E essa complexidade inclui um quadro que já se tornou inescapável: o adoecimento mental dos profissionais da educação. Professores enfrentam sobrecarga, pressão por resultados, jornadas extensas, múltiplas escolas, violência simbólica, desvalorização salarial e precarização das condições de trabalho. A consequência é conhecida: ansiedade, depressão, burnout, afastamentos frequentes e perda de capacidade de permanência na carreira. Não se trata de um problema marginal, mas de uma crise estrutural da profissão.

Ignorar esse cenário é cometer erro técnico e político. Uma política educacional séria precisa começar pelo reconhecimento de que o professor brasileiro está submetido a um nível de desgaste que compromete não só sua saúde, mas também a qualidade da aprendizagem. Não basta cobrar resultado, monitorar índice e falar em eficiência. É preciso enfrentar a realidade concreta do trabalho docente, com suporte institucional, valorização profissional, condições de trabalho e rede de proteção psicológica.

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Some-se a isso a postura pública do governador ao acusar, insinuar e sugerir práticas de corrupção sem apresentar provas ou encaminhamentos formais claros. O combate à corrupção é dever de qualquer governante. Mas governante sério não transforma denúncia em insinuação eleitoral. Se há elementos concretos, o caminho é a representação formal. Quando um chefe do Executivo fala genericamente em “negociata”, “sem-vergonhice”, sem apresentar imediatamente os elementos verificáveis, ele não fortalece a integridade pública; ele contamina o ambiente político, produz suspeição generalizada e aproxima o governo da retórica de palanque.

O balanço desses primeiros dias preocupa não pelos erros em si, que são possíveis em qualquer governo novo, mas pelo padrão que eles revelam: comunicação truncada, decisões sensíveis sem pactuação suficiente, tensão com categorias estratégicas, seletividade fiscal, nomeações controversas e acusações políticas sem o devido lastro público. Em vez de consolidar autoridade, Pivetta parece estar testando continuamente os limites da paciência institucional do Estado.

Mato Grosso precisa de direção, não de improviso. Governar exige mais do que convicção pessoal; exige prudência, escuta e responsabilidade institucional. Até aqui, o novo governador transmite menos segurança e mais instabilidade.

A crítica, portanto, não é partidária. É uma advertência democrática. Um governo pode ser firme, pode contrariar interesses, pode fazer ajustes duros. Mas não pode confundir firmeza com arrogância, gestão com voluntarismo, denúncia com insinuação, nem ajuste fiscal com seletividade política. Se os primeiros dias indicam o estilo do novo governo, há motivos concretos para preocupação.

Wellington Fagundes é senador por Mato Grosso e pré-candidato do PL ao governo do Estado


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Daniel Trindade

Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"

Tags: Cidades Mato Grosso Notícia Política Wellington Fagundes

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