Investigador André Luis Haack Kley foi conduzido à Central de Flagrantes; arma institucional foi apreendida e caso será enviado à Corregedoria
Da Redação
Pela segunda vez em pouco mais de 10 dias, o investigador da Polícia Civil André Luis Haack Kley, lotado na Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito, se envolveu em uma ocorrência de violência no trânsito em Cuiabá. No domingo (12), ele foi conduzido à Central de Flagrantes após sacar a arma institucional durante uma discussão e ter a pistola apreendida.
Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para atender uma denúncia de briga entre condutores. No local, os envolvidos foram encontrados trocando ofensas verbais.
André Luis afirmou que trafegava pela via quando teria sido fechado por dois ocupantes de uma motocicleta. Ele disse que, por temor à própria integridade, parou o carro, desceu armado, abordou os motociclistas e retirou a chave da ignição da moto.
Já o condutor da motocicleta, identificado como Saimon Yuri, apresentou outra versão. Segundo ele, foi alvo de xingamentos e viu o policial descer do veículo apontando a pistola em sua direção.
Diante das versões conflitantes, os policiais militares ofereceram teste do bafômetro aos dois envolvidos, mas ambos recusaram. Por isso, foram lavrados autos de constatação de alteração da capacidade psicomotora.
Na ocorrência, foi apreendida uma pistola Glock calibre 9 milímetros, com carregador e dez munições intactas. Também foram removidos ao pátio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana um GM Corsa Classic e uma Yamaha XTZ 125, ambos com licenciamento vencido. Não houve registro de lesões corporais.
O caso ocorreu poucos dias depois de outro episódio envolvendo o mesmo investigador. Em 29 de março, uma mulher relatou ter sido ameaçada de morte, também em Cuiabá, por um homem que se apresentou como policial civil após uma colisão de trânsito.
De acordo com o boletim dessa primeira ocorrência, a vítima dirigia em baixa velocidade quando foi atingida por um Chevrolet Classic. Após o impacto, o condutor teria descido alterado, recusado a sugestão de acionar a polícia e passado a afirmar que era policial, fazendo ameaças.
Cerca de dez minutos depois, segundo o relato, o marido da vítima chegou ao local e também foi intimidado. O suspeito teria ido até o veículo, pegado uma pistola, perseguido o homem e, ao retornar, apontado a arma para a mulher, que estava acompanhada de dois filhos menores. No carro do investigador, ainda segundo a ocorrência, também havia crianças ou adolescentes.
Além dos dois episódios no trânsito, André Luis já foi alvo da Operação Renegados, deflagrada em 2021 em investigação conjunta do Ministério Público de Mato Grosso, por meio do Gaeco, e da Corregedoria-Geral da Polícia Civil.
Ele é suspeito de integrar uma organização criminosa formada por policiais e ex-policiais civis e militares, acusada de extorquir e roubar outros criminosos. Segundo a investigação, teria participado de uma extorsão de R$ 900 mil contra um suposto traficante em 2018 e usado uma viatura da Polícia Civil na ação.
Mesmo respondendo ao processo, o investigador não foi afastado da corporação. Por decisão administrativa, porém, teve a atuação restringida a funções burocráticas e internas.
A defesa recorreu à 7ª Vara Criminal de Cuiabá em 30 de março para pedir esclarecimentos sobre eventual limitação ao exercício de funções operacionais decorrente das medidas cautelares impostas no processo. Também alegou possível disparidade de tratamento em relação a outro investigado no mesmo caso.
Ao comentar a nova ocorrência, o delegado titular da Deletran, Christian Cabral, informou que vai encaminhar o caso à Corregedoria da Polícia Civil para apuração. Segundo ele, a medida busca garantir imparcialidade e evitar que a investigação permaneça dentro da própria unidade.
Redação
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