
Lideranças afirmam dificuldade para alimentar famílias, aumento de conflitos e pressão sobre comunidades do Médio Xingu
por Daniel Trindade
Lideranças indígenas do território do Xingu, em Mato Grosso, relataram à reportagem impactos diretos da pesca esportiva na rotina das comunidades, especialmente na alimentação, no equilíbrio ambiental e na convivência entre aldeias.
Os relatos foram feitos por representantes de diferentes regiões do Médio Xingu, que apontam dificuldades crescentes para garantir alimento às famílias e descrevem mudanças no comportamento dos peixes após a intensificação das atividades nos rios.
Em entrevista, a liderança indígena Awa Kaiabi afirmou que a prática, da forma como vem sendo realizada, não possui respaldo legal e tem causado prejuízos às comunidades.
“Até o momento a gente acha que isso tá sendo feito ilegal. Nós lideranças indígenas querem que a pesca seja legalizada, mas o que está acontecendo hoje vem prejudicando a população indígena, sem autorização de autoridade”, afirmou.
O líder Tukupé Waurá destacou o aumento do fluxo de embarcações e os efeitos sobre o rio.
“Os barcos passam o dia todo. A gente vive de peixe, e quando passa barco atrás de barco, acaba com o rio. Demora uma semana para o peixe voltar, e quando começa a voltar, os barcos passam de novo”, disse.
Segundo ele, o volume de embarcações tem crescido e ultrapassado o que havia sido discutido anteriormente entre as lideranças.
O cacique Kowo Trumai afirmou que a pesca esportiva causa danos aos peixes e tem sido motivo de resistência entre os povos indígenas do Xingu.
“O peixe sofre quando você pega. Tem peixe que não aguenta. Nós, indígenas do Xingu, sempre lutamos contra essa pesca esportiva”, afirmou.
Ele também destacou que comunidades chegaram a permitir a atividade de forma temporária, mas relatou que acordos não foram cumpridos.
A liderança Muro Kaiabi afirmou que a prática tem dificultado o acesso ao alimento.
“A gente vive de buscar alimento no rio. Quando esse projeto chegou dentro do Xingu, isso está ficando cada vez mais difícil para a nossa comunidade”, disse.
Já o líder Aturi Kaiabi afirmou que, embora algumas comunidades tenham tido resultados locais, há impactos para outras regiões do território.
“Tem comunidade que teve resultado, mas outras que ficam rio abaixo estão sendo afetadas. Os peixes estão morrendo bastante”, afirmou.
Ele também destacou que a situação tem gerado conflitos internos entre indígenas.
A liderança Kururi Ku Ikpeng relatou dificuldades na pesca cotidiana e impacto direto nas famílias.
“Hoje fica difícil trazer alimento para a comunidade. Antes era mais fácil, agora ficou difícil para nós”, disse.
Ela também afirmou que os benefícios prometidos pelas atividades não chegam a todas as comunidades.
O líder Apayatu Waurá afirmou que a prática ocorre há anos e cobrou atuação dos órgãos responsáveis.
“O rio é o nosso mercado. Hoje a gente passa o dia inteiro pescando e pega um ou dois peixes. Antes era diferente. A gente precisa de uma ação da FUNAI e do IBAMA”, afirmou.
Segundo os relatos, a situação tem gerado divergências internas entre comunidades indígenas, com parte das lideranças contrária à continuidade da pesca esportiva nas condições atuais.
As manifestações reforçam o conteúdo da denúncia encaminhada ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso e ampliam o debate sobre os impactos sociais e ambientais das atividades no território.
A reportagem segue acompanhando o caso.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"





