
Declaração de Ramão Nogueira, durante conversa descontraída no podcast RBT, viraliza e reforça que caminhoneiros pelo país rejeitam greve e recusam uso político da categoria
por Daniel Trindade
Caminhoneiros de diferentes regiões do Brasil têm afirmado que não pretendem aderir a uma nova greve nacional, contrariando rumores que circulam nas redes sociais. Um caso que ganhou destaque e se tornou símbolo desse posicionamento é o do caminhoneiro Ramão Nogueira, de 42 anos, morador de Sinop (MT). Em uma conversa descontraída no podcast RBT, apresentado pelo jornalista Roberto Santos, Ramão deixou claro que não se envolve em disputas políticas e que não aceita ser usado como massa de manobra.
Durante a entrevista, Roberto Santos perguntou se Ramão tinha alguma preferência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Com humor e espontaneidade, ele respondeu: “Minha esposa.” Ao ser questionado sobre o motivo, explicou: “Ela faz meu almoço, minha janta, faz cafuné. Lula o que faz pra mim? Nada. Bolsonaro também nada.” O jornalista insistiu se ele não deveria assumir uma posição política como caminhoneiro, e Ramão foi categórico ao afirmar: “Eu dependo do meu trabalho, não deles.”
Em outro momento, Roberto Santos perguntou se Ramão apoiaria uma possível paralisação nacional que pudesse afetar sua família. O caminhoneiro foi direto: “Se for pra prejudicar minha esposa, esquece. Eu sou mais minha esposa.” A fala, embora descontraída, reforça um sentimento que vem se repetindo em todo o país: a prioridade da categoria é trabalhar e sustentar suas famílias, não participar de disputas eleitorais.

Essa postura dialoga com o que entidades representativas do setor têm relatado. Lideranças da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) afirmaram recentemente que os caminhoneiros “não vão se deixar manipular por pautas políticas” e que não há qualquer movimento organizado para uma greve nacional. A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também reiterou que a categoria “não será usada como massa de manobra”, reforçando que convocações de paralisação que circulam em grupos e redes não representam a maioria dos motoristas.
Checagens da Reuters confirmam que muitos vídeos que viralizaram anunciando protestos seriam, na verdade, gravações antigas algumas de 2022 reapresentadas como se fossem atuais. A agência também apurou que não há evidências de protestos coordenados em escala nacional. Em diversos estados, caminhoneiros entrevistados afirmaram que não pretendem parar e que as convocações têm origem em grupos que não representam a realidade da categoria.
Esse distanciamento de paralisações é reforçado por fatores práticos: motoristas apontam que a rotina já é marcada por longas viagens, alto custo do diesel, manutenção cara e pressão por entregas. Paralisações prolongadas, afirmam, colocariam em risco o próprio sustento razão pela qual muitos preferem seguir trabalhando. Em estados como Minas Gerais, Goiás, Paraná e Bahia, Mato Grosso, caminhoneiros relataram que não há clima para mobilização e que a maioria sequer cogita aderir a greves com motivação política.
O caso de Ramão Nogueira sintetiza esse cenário nacional: longe das disputas ideológicas, muitos caminhoneiros reforçam que seu compromisso é com o trabalho, a família e a estabilidade financeira. A percepção predominante entre esses profissionais é a de que, em 2025, não há espaço nem disposição para uma paralisação nacional motivada por agendas políticas. A categoria demonstra que quer seguir em frente pelas estradas do país sem deixar que terceiros falem por ela.
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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"





