
Documentos revelam ligações do filho do governador com empresas de mineração, transporte e concessões públicas, levantando dúvidas sobre conflitos de interesse e a condução das privatizações no Estado.
por Daniel Trindade
Uma sequência de documentos oficiais obtidos pela reportagem revela uma ampla rede societária que conecta o filho do governador Mauro Mendes, integrantes da família do empresário e ex-senador Cidinho Santos e aliados próximos do ex-secretário da Casa Civil, Mauro Carvalho. As ligações se concentram em empresas de mineração e transporte, dois segmentos que estão entre os mais lucrativos e sensíveis de Mato Grosso, e que dependem diretamente de licenças ambientais, fiscalizações e decisões administrativas emitidas pelo próprio governo estadual.
No centro dessa rede aparece Luís Antônio Taveira Mendes, filho do governador. Ele figura como sócio e administrador de empresas do setor mineral, como a Sollo Mineração S.A. e a Seven Gold Mineração Ltda. Nesta última, participa de duas maneiras: como pessoa física e como representante da Sollo Mineração, ampliando seu poder de influência no negócio. A sociedade é compartilhada com Sonia Maria Lourenço, que também desempenha papel de administradora na CS3 Participações e Investimentos Ltda., empresa que integra o quadro societário da MDC Mineração.
É na MDC que surgem nomes diretamente ligados ao grupo de Cidinho Santos. Entre eles está Victor Matheus Peixoto Felisbino, administrador da empresa, além da L.W.D. Santos Holding, representada por Leandro Wagner Dorileo Santos. A presença desses sobrenomes reforça a participação da família que hoje controla a Nova Rota do Oeste, concessionária da BR-163, uma das rodovias mais importantes para o escoamento da produção agrícola do Estado.
As relações empresariais avançam também para o setor de transporte. A MCM Transportes e Logística Ltda., com capital declarado de R$ 4,5 milhões, reúne novamente o filho do governador desta vez representado pela Sollo Hub Ltda. e nomes ligados ao grupo político de Mauro Carvalho, que foi uma das figuras mais influentes do governo durante a gestão. O administrador da MCM é Hélio Palma de Arruda Neto, cuja atuação no setor empresarial dialoga com apoios e vínculos políticos estabelecidos ao longo dos últimos anos.
O conjunto de informações revela um cenário que merece atenção pública. Empresas de mineração e transporte operam, por natureza, sob forte dependência do Estado: precisam de licenças, autorizações, concessões e fiscalizações constantes. Quando os sócios desses negócios pertencem ao núcleo familiar do próprio governador ou a grupos empresariais próximos ao poder político, as conexões provocam questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e sobre a condução das decisões governamentais. Esse debate se torna ainda mais relevante diante do avanço de modelos de terceirização, privatização e concessões em áreas estratégicas do Estado, que ampliam a presença do setor privado na gestão de serviços públicos e, ao mesmo tempo, aumentam a importância de garantir transparência e equidade nesses processos.
A sobreposição entre interesses privados e decisões públicas reacende discussões sobre ética, governança e responsabilidade política. Em um Estado onde a mineração avança sobre novas fronteiras e o transporte influencia diretamente o custo de vida, a competitividade e a economia regional, a população tem motivos para refletir sobre quem se beneficia das decisões tomadas no alto escalão. O governo tem repetido, ao longo dos anos, que age com rigor técnico e legalidade; ainda assim, a proximidade entre os protagonistas desses negócios e o comando político de Mato Grosso lança dúvidas sobre a imparcialidade dos processos que regulam setores estratégicos especialmente quando parte dessas áreas está sendo transferida a empresas privadas por meio de contratos de longo prazo.
A presença simultânea desses grupos em empresas que dependem de ações do governo levanta, pelo menos, uma reflexão necessária: até que ponto as decisões públicas atendem ao interesse geral da população e não aos interesses de grupos que orbitam o poder? Em um momento em que o Estado cresce, atrai investimentos, amplia privatizações e concentra riquezas, a sociedade mato-grossense tem o direito e a responsabilidade de observar com atenção os caminhos escolhidos pelo governo e os efeitos que eles produzem sobre o presente e o futuro de Mato Grosso.


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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"









