
Senador do PL, aliado de Bolsonaro, tenta se projetar como alternativa em 2026, porém enfrenta histórico de investigações que o povo não esquece
por Daniel Trindade
Com a aproximação da corrida eleitoral de 2026, surgem também as movimentações de bastidores que reacendem lembranças do passado. Nesse cenário, velhos episódios voltam à tona como forma de lembrar à população quem são os atores que hoje se apresentam como alternativa de renovação, mas cuja trajetória política guarda contradições profundas entre discurso e prática.
O senador Wellington Fagundes (PL-MT) tem se movimentado para viabilizar uma candidatura ao governo de Mato Grosso. Com mais de três décadas de vida pública, o parlamentar, que iniciou sua trajetória como deputado federal ainda nos anos 1990 e está no Senado desde 2015, aposta no discurso de experiência e capacidade de articulação política para se colocar como alternativa ao Palácio Paiaguás em 2026. Entretanto, sua caminhada é marcada por um passado político permeado por denúncias e investigações que adversários não deixarão de explorar.
A imagem que Fagundes tenta projetar hoje é a de um político agregador, capaz de dialogar com diferentes campos ideológicos e unir forças em torno de um projeto de desenvolvimento. Mas, ao mesmo tempo em que busca esse reposicionamento, carrega consigo episódios que atravessaram sua carreira parlamentar e o colocaram sob os holofotes da Justiça e da imprensa.
O caso mais emblemático é a Operação Sanguessuga, conhecida como a “máfia das ambulâncias”, que estourou em 2006 e revelou esquema de superfaturamento na compra de veículos de saúde por meio de emendas parlamentares. Em fevereiro de 2018, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou denúncia contra Fagundes por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público Federal, o então deputado federal teria recebido ao menos R$ 100 mil em propinas. Em 2019, com a mudança no entendimento sobre foro privilegiado, o processo foi remetido para a Justiça Federal de Mato Grosso, onde segue em tramitação na 7ª Vara, sem sentença definitiva.
Além desse episódio, o nome do senador foi mencionado em delações da Operação Ararath, do ex-governador Silval Barbosa, sobre supostas pressões e pedidos de repasse ligados a contratos do DNIT. Também esteve associado a suspeitas de caixa dois da JBS, em delações que apontaram repasses de cerca de R$ 300 mil em 2014 para sua campanha ao Senado. A Polícia Federal abriu inquérito, mas o caso não resultou em denúncia aceita até hoje. Outro momento delicado ocorreu em 2018, quando seu nome apareceu no inquérito dos Portos, ligado ao então presidente Michel Temer. Fagundes chegou a prestar depoimento, mas não se tornou réu.
Apesar desse histórico, Wellington Fagundes sobreviveu politicamente. Em 2021, o TRE-MT arquivou inquérito eleitoral aberto contra ele. Em 2024, enfrentou questionamentos sobre impulsionamento de publicações em redes sociais, mas em questões restritas à propaganda eleitoral. E, em 2025, voltou a ocupar espaço na cena nacional ao criticar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal, defendendo uma anistia ampla e posicionando-se ao lado de manifestações por liberdade política.
Hoje, Fagundes se esforça para construir uma narrativa que pede ao eleitor mato-grossense que “esqueça meu passado”. O apelo, ainda que não verbalizado com essas palavras, transparece em sua postura de se colocar como articulador político respeitado, capaz de unir partidos como o PL e o MDB em torno de uma mesma chapa. Nas conversas de bastidores, há quem avalie que o senador já estaria mais disposto a assumir o papel de grande apoiador de nomes emergentes, como a deputada Janaina Riva (MDB), do que a insistir em sua própria candidatura.
Ainda assim, o projeto de governar Mato Grosso não foi abandonado. Fagundes circula em eventos, busca proximidade com lideranças municipais e tenta mostrar serviço em Brasília para fortalecer sua imagem no estado. O desafio, no entanto, será enfrentar a memória política recente. Seus adversários certamente vão lembrar que, ao longo dos anos, seu nome foi associado a esquemas de corrupção que abalaram a confiança popular no Congresso.
Na arena eleitoral, a aposta do senador é de que o eleitorado esteja mais preocupado com o presente e o futuro do que com processos que, mesmo após quase duas décadas, seguem sem condenação definitiva. Mas, em política, esquecer o passado raramente é uma opção e o povo, muitas vezes, não esquece as contradições daqueles que dizem representar mudança.
Fonte das informações:
http://Justiça notifica Fagundes para apresentar alegações finais em ação da Operação Sanguessuga
http://Wellington Fagundes é citado em questionamento da Polícia Federal enviado a Michel Temer

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"





