
Associação Floresta Urbana e Comissão da UNESIN criticam Energisa por descumprimento de normas técnicas; moradores denunciam aumento do calor e perda de sombra
da Redação
A poda de aproximadamente 50 árvores na avenida das Figueiras, em Sinop, se transformou em um dos assuntos mais polêmicos da semana. A ação, realizada por equipes da Energisa entre a rua das Avencas e a avenida das Sibipirunas, tinha como justificativa evitar que galhos atingissem a rede elétrica. Entretanto, muitas árvores foram praticamente reduzidas a troncos, o que gerou indignação popular e levou entidades a emitirem nota de repúdio.
Moradores reclamam da perda da sombra e do aumento da sensação térmica. “Antes a gente tinha um corredor fresco, agora só tem o sol queimando. Essa avenida perdeu a vida”, disse uma comerciante da região central. Outro morador reforçou: “Não é poda, é mutilação. Ninguém é contra manutenção, mas existe limite técnico. O que aconteceu aqui foi exagero”.
A Associação Floresta Urbana de Sinop e a Comissão UNESIN de Meio Ambiente e Sustentabilidade Urbana e Periurbana divulgaram uma nota conjunta repudiando a forma como o serviço foi executado. As entidades afirmam que a intervenção não seguiu normas técnicas, prejudicou a arborização urbana e desrespeitou a legislação municipal. O presidente da Floresta Urbana, Amadeu Rampazzo, classificou a intervenção como “podas drásticas e mutilação”, lembrando que a norma ABNT NBR 16246-1/2022 determina procedimentos adequados para manejo arbóreo em áreas urbanas.
A legislação municipal também estabelece critérios. O Art. 66-A do Código Ambiental de Sinop (LC nº 208/2023) autoriza que a concessionária de energia execute podas e cortes “quando árvores estiverem em contato ou em iminente contato com a rede elétrica, de ofício ou quando requisitado por morador ou pelo Poder Público, independente de prévia autorização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, devendo observar os requisitos e diretrizes contidos na(s) norma(s) técnica(s) elaborada pela Concessionária de Serviços Elétricos”. O texto também obriga a empresa a recolher corretamente os resíduos gerados.
Em contato com a reportagem, o secretário de Meio Ambiente de Sinop, Klayton Gonçalves, confirmou que existe parceria com a concessionária no sentido de manter os espaços limpos e garantir o recolhimento dos resíduos após a poda. Porém, destacou que não houve comunicação prévia da empresa à secretaria sobre a intervenção realizada na avenida das Figueiras. Diante disso, informou que já entrou em contato com a Energisa cobrando explicações detalhadas sobre a forma como o serviço foi conduzido.
A Energisa, por sua vez, reafirmou em nota que a poda é preventiva e antecede o período de tempestades previsto para setembro, visando evitar acidentes e riscos à vida. A concessionária garantiu que o trabalho segue a legislação, é acompanhado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e realizado por equipes treinadas e equipadas.
A polêmica expôs um dilema recorrente: de um lado, a necessidade de manutenção da rede elétrica e segurança pública; de outro, o direito da população a uma cidade mais arborizada, com sombra e conforto térmico. Enquanto entidades ambientais acusam a concessionária de exagero e descumprimento de normas, a empresa sustenta que cumpre a lei e age para prevenir riscos.
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