
Com mais de 220 mil habitantes, cidade celebra aniversário reforçando identidade cultural e papel central no desenvolvimento do nortão.
por Daniel Trindade
Sinop completa 51 anos em 2025 e chega a esta data como a maior cidade do norte de Mato Grosso e uma das que mais crescem na Amazônia Legal. Sua história, no entanto, começa bem antes, quando a floresta e as estradas de terra eram os únicos cenários que recebiam os primeiros migrantes vindos principalmente do Sul do Brasil. A cidade nasceu de um projeto de colonização planejada pela Sinop Terras Ltda., cujo nome é a sigla de Sociedade Imobiliária do Noroeste do Paraná. Esses colonizadores, homens e mulheres que acreditaram na fertilidade da terra, chegaram em busca de oportunidade. Abriram picadas, construíram casas de madeira, improvisaram escolas e igrejas, e iniciaram as primeiras plantações de arroz, milho e feijão.
O dia oficial de fundação foi 14 de setembro de 1974, marco simbólico da criação de Sinop. O início não foi fácil. Estradas eram precárias, o acesso a serviços básicos praticamente inexistia e o transporte dependia de caminhões atolados nas estradas de terra ou até mesmo aviões de pequeno porte que pousavam em clareiras improvisadas. Ainda assim, a perseverança dos pioneiros moldou a base do município que hoje se tornaria a “capital do Nortão”.
O crescimento foi acelerado. Com a pavimentação da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém, Sinop ganhou conexão com o restante do Brasil. A agricultura, especialmente a soja, transformou-se no motor do desenvolvimento econômico. Com o avanço da mecanização e a chegada de novas tecnologias, a região se consolidou como uma das maiores produtoras de grãos do país. Além da soja, milho, algodão e a pecuária fortaleceram a economia, atraindo indústrias de processamento, cooperativas e empresas de logística.
A emancipação política ocorreu em 17 de dezembro de 1979, quando Sinop deixou de ser distrito para se tornar município. O primeiro prefeito nomeado foi Osvaldo de Paula, pioneiro que teve a responsabilidade de estruturar a administração municipal em meio a enormes dificuldades. Após ele, vieram os primeiros prefeitos eleitos, como Geraldino Dal Maso, que governou nos anos 1980 e enfrentou o desafio de dar forma institucional a uma cidade ainda em crescimento. Adenir Alves Barbosa, eleito em dois mandatos, e Antônio Contini, que governou entre eles, consolidaram serviços básicos e ampliaram a organização administrativa.
Nos anos 2000, Sinop entrou em uma fase de grande projeção com a gestão de Nilson Leitão, que foi prefeito de 2001 a 2008. Ele ampliou a infraestrutura urbana, modernizou a gestão e recebeu prêmios nacionais de administração pública. Durante sua gestão, a cidade deu saltos na educação e se consolidou como polo regional de serviços. Em seguida, Juarez Costa assumiu a prefeitura e, em dois mandatos até 2016, fortaleceu a rede de saúde, apostou na expansão da educação superior e ampliou o atendimento em bairros, além de iniciar grandes obras estruturantes.
A partir de 2017, Sinop passou a ser administrada por Rosana Martinelli, primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita. Sua gestão foi marcada pela modernização administrativa, por programas sociais e pela continuidade de obras estruturantes que prepararam a cidade para o crescimento acelerado. Em 2021, o empresário Roberto Dorner assumiu a prefeitura com a proposta de investir em mobilidade, atração de empresas e ampliação de infraestrutura. Reeleito para o mandato de 2025 a 2028, ele conduz atualmente uma fase de transformação urbana, com obras de grande porte e políticas voltadas ao desenvolvimento planejado.
O avanço econômico impulsionou também a vida urbana e cultural. Sinop tornou-se polo universitário, campi da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e várias instituições privadas. A saúde ganhou hospitais regionais, clínicas e laboratórios que atendem toda a região. O comércio e os serviços se expandiram e atraíram consumidores de dezenas de cidades vizinhas. A cultura se manifesta em festivais, mostras de teatro e grandes eventos musicais, como o Festeja Sinop, que integra o calendário oficial e celebra as tradições da cidade.
Outro ponto marcante é a chegada e consolidação de grandes empresas nacionais e internacionais. No setor do agronegócio e logística, Sinop abriga unidades de gigantes como Amaggi, ADM, Cargill, Bunge e Fiagril, que movimentam a produção de grãos para exportação. No comércio e serviços, redes de atacarejo como Atacadão, Assaí e Todimo se instalaram, acompanhando o aumento da população e do consumo. No segmento educacional e tecnológico, empresas e startups locais têm se fortalecido, ligadas à inovação e à agricultura de precisão. A construção civil também é destaque, com incorporadoras que transformaram a cidade em referência em moradia verticalizada no interior do Brasil.
Mas o grande símbolo do presente é a Inpasa Bioenergia, considerada a maior usina de etanol de milho do mundo, que se instalou em Sinop atraída pelo potencial agrícola da região. A empresa revolucionou o cenário industrial, agregando valor à produção de milho e gerando milhares de empregos diretos e indiretos. E, próximo à celebração dos 51 anos do município, será lançado um novo empreendimento em parceria com a Enermat, ampliando ainda mais a matriz energética e fortalecendo Sinop como referência nacional na produção de etanol de milho, energia limpa e sustentabilidade.
Com população estimada em mais de 220 mil habitantes, Sinop figura entre as quatro maiores cidades de Mato Grosso e é considerada um dos municípios mais promissores da região Centro-Oeste. Ao mesmo tempo em que investe no desenvolvimento econômico, busca equilibrar esse crescimento com políticas de preservação ambiental, já que está situada em área de transição amazônica.
A frase que simboliza os 51 anos, “Me chame de Sinop. Me chame Mãe”, traduz a essência de uma cidade acolhedora. A palavra “Mãe” evoca cuidado, proteção e pertencimento, lembrando que Sinop sempre recebeu migrantes de todas as regiões e ofereceu novas oportunidades a quem buscava recomeçar. A boneca de palha de milho, outro símbolo adotado, reforça a ligação da cidade com a agricultura e com a simplicidade transformada em cultura.
De vila recém-aberta na floresta a capital econômica do agronegócio, de cidade de ruas de terra a centro de inovação e energia, Sinop é fruto da coragem de seus pioneiros, da determinação de seus prefeitos e do trabalho coletivo de milhares de famílias que acreditaram na terra. Hoje, é uma das cidades mais dinâmicas de Mato Grosso e se projeta nacionalmente como exemplo de desenvolvimento rápido, porém enraizado em valores de luta, esperança e acolhimento.
Linha do tempo Sinop:
1972–1973 – Chegada dos primeiros colonizadores vindos principalmente do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, atraídos pelo projeto de colonização da Sinop Terras Ltda.
14 de setembro de 1974 – Fundação oficial de Sinop. O marco inicial simboliza a abertura de ruas e os primeiros núcleos habitacionais em meio à floresta.
1976 – Construção das primeiras escolas e igrejas improvisadas em madeira, que serviram como centros comunitários para os pioneiros.
17 de dezembro de 1979 – Sinop é elevada à categoria de município, deixando de ser distrito. Osvaldo de Paula é nomeado como primeiro prefeito.
Década de 1980 – Consolidação da agricultura de arroz, feijão e milho. Início do cultivo de soja em escala, preparando o município para o futuro do agronegócio.
1983 – Primeira eleição municipal. Geraldino Dal Maso é eleito prefeito, dando continuidade à estruturação da cidade.
Anos 1990 – Expansão urbana e crescimento da população. Prefeitos Adenir Alves Barbosa e Antônio Contini conduzem a consolidação administrativa e ampliam os serviços básicos.
2001–2008 – Gestão de Nilson Leitão, marcada por modernização administrativa, prêmios nacionais e salto em infraestrutura, educação e urbanização.
2009–2016 – Administração de Juarez Costa, com investimentos em saúde, expansão da educação superior e obras de infraestrutura em bairros.
2017–2020 – Rosana Martinelli assume como primeira prefeita da cidade. Modernização administrativa, políticas sociais e grandes obras marcam seu mandato.
2021 – Início da gestão de Roberto Dorner, empresário e ex-deputado federal, com foco em mobilidade urbana e atração de investimentos.
2023–2024 – Sinop se consolida como polo educacional e cultural, com universidades, hospitais de referência e eventos como o Festeja Sinop.
2025 – Cidade completa 51 anos com mais de 220 mil habitantes. A Inpasa, maior usina de etanol de milho do mundo, já instalada, reforça o protagonismo econômico. No mesmo período, é lançado um novo empreendimento em parceria com a Enermat, ampliando a matriz energética local.

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Daniel Trindade
Editor-Chefe do Portal de Notícias
Ativista Social|Jornalista MTB 3354 -MT
Consultor Político
Estudante Bacharelado em Sociologia
Defensor da Causa Animal em Sinop -MT
Tutor do Stopa "O Cão Mascote"



