Foto: Reprodução
Família divulgou uma atualização nas redes sociais, informando que o resgate foi retomado às 6h (horário local) desta terça-feira. Orientação é que operação seja acelerada
Desde a queda da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, numa área de encosta íngreme do vulcão no Monte Rinjani, na Indonésia, no último sábado, já se passaram mais de 86 horas. Equipe de socorristas estão correndo contra o tempo para resgatar a jovem. As buscas pela publicitária foram retomadas na noite desta segunda-feira, por volta das 20h (6h no horário local). A família divulgou uma atualização nas redes sociais, informando que o resgate foi retomado às 6h (horário local) desta terça-feira. Os resgatistas teriam conseguido descer 400m, mas Juliana estaria mais longe, a cerca de 650m.
Orientação das autoridades locais é para que a operação de resgate seja acelerada, levando em consideração o período crítico para resgates em áreas selvagens. Na avaliação do major Fábio Contreiras, do Corpo de Bombeiros do Rio, em casos como esse a operação precisa ocorrer com urgência. Especialista em salvamentos, ele diz que o tempo de resposta também deve ser levado em conta, por conta das condições em que a vítima se encontra, com risco de baixa oxigenação de humidade e temperatura podem agravar seu quadro clínico.
— A ação precisa ser imediata. São muitos fatores contra: altitude, frio, desidratação, possíveis lesões internas e até hipoglicemia — alerta o major.
O Monte Rijani fica a 3.726 metros do nível do mar. A queda da publicitária, inicialmente, se estendeu por mais de 300 metros montanha abaixo, em um local de difícil acesso, sem possibilidades, segundo a família, de resgate por helicóptero.
Desde o acidente as equipes de resgate têm enfrentado grandes desafios, que vão desde terreno íngreme, altitude elevada e condições do clima e tempo. Além disso, a neblina densa compromete e visibilidade acrescentando os riscos
— A altitude reduz a sustentação da aeronave. O helicóptero precisa ter uma potência específica para operar nessas condições. Além disso, o voo precisa ser visual, ou seja, o piloto precisa enxergar claramente o terreno. Neblina e ventos fortes tornam o voo extremamente perigoso. O vento pode ser descendente, empurrando a aeronave para baixo, o que cria um risco enorme para a tripulação — explica o especialista.
O deslocamento por terra exige uma equipe altamente especializada. O major ressalta a necessidade de socorristas experientes em terrenos montanhosos e com treinamento específico em transporte de vítimas politraumatizadas.
— É fundamental que o grupo leve equipamentos como pranchas, cordas, sistemas de ancoragem e materiais para pernoite. Eles precisam estar preparados para ficar até duas semanas em campo, se necessário — afirma.
Além das dificuldades de acesso, outro desafio é garantir que a jovem esteja bem. Segundo Contreiras, uma queda de centenas de metros pode causar múltiplas fraturas, hemorragias internas e lesões em órgãos vitais.
Acompanhe a cronologia
Sexta-feira, 20 de junho,19h, queda no abismo
O acidente aconteceu por volta das 19h (de Brasília), da última sexta-feira (já madrugada de sábado pelo horário local, 11h à frente). Segundo autoridades locais a jovem caiu cerca de 300 metros abaixo da trilha, perto do ponto mais alto da montanha, que tem mais de 3 mil metros de altura. Horas mais tarde um grupo de turistas chegou ao local e conseguiu localizar a publicitária, com a ajuda de um drone. De acordo com os relatos, a jovem estava presa em uma fresta de pedra e com dificuldade de locomoção. Ela vestia calça jeans, camiseta, luvas e tênis. Estava sem agasalho e sem óculos (ela tem cinco graus de miopia). Os familiares tomaram conhecimento do ocorrido por uma rede social e a niteroiense foi reconhecida por uma irmã, por conta da roupa que usava e pelo rosto nas imagens.
Sexta-feira, 20 de junho, por volta das 22h, família é avisada
A família foi informada aproximadamente três horas depois do ocorrido. Um grupo de turistas espanhóis que também participava da trilha encontrou o perfil de Juliana em uma rede social e começou a enviar mensagens para diversas pessoas até localizar uma amiga das irmãs. A partir desse contato, a comunicação passou a ser feita por WhatsApp, com o envio de fotos e vídeos do local que ajudaram a confirmar a identidade da vítima.
Sábado, 21 de junho, 4h30, socorristas chegam
Os primeiros socorristas chegaram à região de madrugada de sábado, por volta das 4h30 (14h30 no horário local), mas não conseguiram resgatá-la. Uma equipe chegou a alcançá-la para oferecer comida e água. A embaixada brasileira na Indonésia informou que o resgate, no entanto, precisou ser adiado devido ao mau tempo, à baixa visibilidade e ao terreno extremamente íngreme. O comunicado foi repassado à família da jovem.
Mariana Marins, irmã de Juliana, disse que os montanhistas encarregados de seu salvamento estavam a pelo menos uma hora de distância do ponto crítico na manhã de sábado. Havia a expectativa, segundo ela, de que o resgate começasse às 20h daquele dia, no horário de Brasília (6h na Indonésia). A parente contou que a irmã estava “na beirada do precipício” e que, com a chuva, a situação se agravou.
— Depois de cair, ela ainda deslizou cerca de 300 metros montanha abaixo — contou Mariana.
Sábado, 21 de junho, 17h10, jovem deixa de ser avistada
A última vez que a jovem foi vista na região foi por volta de 17h10, também horário de Brasília, de sábado, 21, segundo informações passadas por Mariana, irmã dela. Juliana, após o acidente, não fez contato com a família diretamente, por falta de sinal. As informações chegaram até o Brasil por meio de um grupo de turistas que também fazia a trilha e conseguiram acionar pessoas próximas à vítima por meio de uma rede social, mandando mensagens para inúmeras pessoas após encontrarem o perfil dela. A princípio, a trilha duraria de 20 a 22 de junho, por três dias e duas noites. Ela faz um mochilão pela região desde fevereiro deste ano e já passou por países como Filipinas, Tailândia e Vietnã.
Domingo, 22 de junho, madrugada, novas buscas
A embaixada brasileira na Indonésia, localizada na capital do país, Jacarta, confirmou ao GLOBO que equipes de resgate reiniciaram operação de busca à brasileira. Ao GLOBO, porém, Mariana Marins, irmã da vítima, negou que o resgate tenha sido reiniciado, porque a situação climática piorou muito no local, que seria “muito inóspito”.
Domingo, 22 de junho, fim da manhã, buscas interrompidas
No fim da manhã de domingo (início da noite na Indonésia), familiares da publicitária informaram que as buscas pela brasileira haviam sido oficialmente suspensas. O motivo, segundo eles, foi devido às condições climáticas adversas do local, com muita neblina.
Segunda-feira, 23 de junho, madrugada, buscas prosseguem
Representantes diplomáticos do Brasil na Indonésia informaram à família da jovem desaparecida que o trabalho de resgate foi retomado. O embaixador que falou com a família informou que um drone térmico, que capta o calor do corpo foi utilizado nas buscas. O Ministério das Relações Exteriores divulgou a informação por meio de nota. Segundo o Governo Federal, dois funcionários da embaixada se deslocaram para o local com o objetivo de acompanhar pessoalmente o processo.

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